Na Bahia, ex-presidente afirma que, para vencer na capital paulista, a sigla precisa superar seu teto de 30% de votos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou nesta terça-feira (20), em Salvador, a disputa interna do PT para definição do candidato do partido à prefeitura de São Paulo. Lula disse que a senadora Marta Suplicy (PT-SP) é “forte candidata”, mas manifestou indiretamente seu apoio ao ministro Fernando Haddad (Educação), que nunca disputou eleição, ao dizer que “gostaria que o PT inovasse” e lançasse “pessoas novas” para superar o teto histórico de votos da sigla na capital paulista.

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O ex-presidente disse que Marta é concorrente forte em razão de seu desempenho nas pesquisas eleitorais. “Ninguém pode dizer que alguém que começa com 30% é fraco”, disse. Mas minimizou a própria declaração em seguida ao referir-se a esse índice como o teto histórico de votos do PT na capital paulista.

O PT tem 30% em São Paulo qualquer que seja o candidato. Minha tese é que precisamos construir os outros 20%. Ou seja, vale para São Paulo o que valeu para Minas. Precisamos encontrar o nosso José Alencar da capital, um cara que possa, numa composição política com outros partidos que possam dar os 20% de votos que nós precisamos para completar os 50% que vão ganhar as eleições”

“O PT tem 30% em São Paulo qualquer que seja o candidato. Minha tese é que precisamos construir os outros 20%. Ou seja, vale para São Paulo o que valeu para Minas. Precisamos encontrar o nosso José Alencar da capital, um cara que possa, numa composição política com outros partidos que possam dar os 20% de votos que nós precisamos para completar os 50% que vão ganhar as eleições”, afirmou, em referência ao vice-presidente em sua gestão na Presidência, que em 2002 ajudou a atrair legendas de centro-direita e reduzir resistências ao projeto petista.

Lula também procurou manifestar cautela e negou integrar a CNB (Construindo um Novo Brasil), corrente majoritária no PT e que nesta segunda-feira (19) manifestou apoio a Haddad na corrida pela indicação do partido. “Faz uns dez anos que não tenho corrente no PT. Sou presidente de honra do PT, sou presidente de todas as correntes, sou apoiado por unanimidade, então não tenho uma corrente preferencial”, disse.

Disputam a indicação com Marta e Haddad o senador Eduardo Suplicy e os deputados federais Jilmar Tatto e Carlos Zarattini. Se vencer a disputa interna, Marta concorrerá ao cargo pela quarta vez seguida – venceu em 2000, perdeu em 2004 para José Serra (PSDB) e em 2008 para Gilberto Kassab (PSD).

“Eu, para mim, se for a Marta Suplicy, se for o Jilmar Tatto, o Zarattini, eu estarei na rua fazendo campanha. Eu gostaria que o PT inovasse”, disse Lula, sem mencionar o nome do apadrinhado.

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