Planalto passou o dia acertando detalhes da substituição; opção mais provável é por um nome interino para a vaga

O aumento das pressões provocadas pelo inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) e a sucessão de novas denúncias de irregularidades no Ministério do Esporte levaram o ministro Orlando Silva a acatar o pedido feito pelo Palácio do Planalto e entregar o cargo. A notícia, antecipada nesta manhã pela coluna Poder Online , só foi confirmada pelo governo pouco depois das 17 horas . No entanto, líderes de partidos da base já haviam sido comunicados ontem sobre a demissão.

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Ficou acertado que a pasta será mantida sob comando do PC do B, mas a ordem dada foi a de não formalizar a decisão enquanto o substituto não fosse definido. Foram ventilados nomes como os do deputado Aldo Rebelo (SP) e do presidente da Embratur, Flávio Dino (PC do B-MA), e da ex-prefeita de Olinda Luciana Santos (PC do B-PE).

Mas o governo trabalha com a opção de a pasta ficar temporariamente nas mãos do secretário-executivo  - hoje o posto é ocupado por Waldemar Manoel Silva de Souza (PC do B-RJ) - ou de um interino. Segundo líderes da base, a ideia é deixar a crise esfriar para fazer uma substituição definitiva em um cenário de menor tensão política.

Ministro do Esporte resistiu às pressões na semana passada, mas inquérito no STF dificultou permanência no cargo
AE
Ministro do Esporte resistiu às pressões na semana passada, mas inquérito no STF dificultou permanência no cargo

A decisão de Orlando Silva de entregar o cargo  foi sacramentada em reunião no Palácio do Planalto, entre o ministro, dirigentes do PC do B, e o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Mais cedo, já circulava a informação de que a saída de Orlando Silva era iminente e que Dilma deveria decidir seu destino ainda hoje, como adiantou o colunista do iG Guilherme Barros .

Todo o processo que culminou na decisão de trocar o comando do ministério foi traçado com o objetivo de preservar a autoridade de Dilma . A saída de Orlando Silva era consenso desde a semana passada e veio a público horas antes do horário agendado para o depoimento do policial João Dias Ferreira na Câmara dos Deputados. Delator do esquema no Esporte, Ferreira desistiu em cima da hora de comparecer ao Congresso para falar sobre as denúncias.

Faxina

Com a saída de Silva, a presidenta Dilma Rousseff perde seu sexto ministro em apenas 11 meses de governo . A "faxina" comandada na Esplanada dos Ministérios já derrubou Pedro Novais (PMDB-MA) do Turismo, Wagner Rossi (PMDB-SP) da Agricultura, Antonio Palocci (PT-SP) da Casa Civil, Alfredo Nascimento dos Transportes (PR-AM) e Nelson Jobim da Defesa (PMDB-RS). Apenas Jobim não caiu após denúncias de corrupção. Ele se afastou após a repercussão negativa provocada por declarações polêmicas sobre o governo e colegas de ministério.

A demissão do ministro do Esporte também remove mais um integrante do grupo de ministros herdados da administração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Em geral, Dilma tem escolhido nomes de sua confiança e de perfil mais técnico para substituir os ministros afastados em decorrência de denúncias de corrupção.

*Com informações de Ricardo Galhardo e Nara Alves, iG São Paulo, e Agência Estado

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