Patrus afirma que não subirá no palanque de Aécio em Belo Horizonte

Grupo de ex-ministros de Lula aprova apoio ao prefeito de Belo Horizonte, mas sem participação do PSDB

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O ex-ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome do governo Lula e ex-prefeito de Belo Horizonte, Patrus Ananias (PT), avisou neste sábado (25) que não irá subir em palanque onde estará o senador Aécio Neves (PSDB), nas eleições municipais de outubro. O posicionamento de Patrus, contra os tucanos na aliança pela reeleição do atual prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), ocorre um dia depois de os tucanos reivindicarem espaço para Aécio na propaganda eleitoral de Lacerda . O senador é cotado para disputar a Presidência da República em 2014. Em 1992, Patrus derrotou Aécio em disputa pela prefeitura de Belo Horizonte.

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Denise Motta
Patrus Ananias, após evento neste sábado
“Nunca vi o Aécio visitando a periferia, conversando com pobres. Não estarei ao lado dele. Estarei ao lado do ex-prefeito Fernando Pimentel e do prefeito Marcio Lacerda. Em 2014, o Brasil vai novamente decidir entre um projeto do PT e do PSDB. Temos diferenças profundas”, destacou o ex-ministro, depois de participar de um evento da chamada Articulação, tendência do PT que abriga, além dele, o ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República e atual diretor do Instituto Lula, Luiz Dulci, e o ex-ministro de Direitos Humanos Nilmário Miranda. Dulci não participou do encontro e Nilmário saiu sem dar entrevista a jornalistas, alegando que estava apressado para um compromisso.

No encontro, que reuniu aproximadamente 100 petistas em um auditório na região centro-sul da capital mineira, ficou decidido que esta tendência apoiará o atual prefeito, em reedição da aliança do PT com o PSB. Mas, para Patrus e os outros militantes, o PSDB não tem espaço nem mesmo informalmente. Em 2008, os tucanos apoiaram Lacerda informalmente e o PT indicou o vice Roberto Carvalho, atualmente a favor da candidatura própria. Agora, a Articulação petista espera, além de aliar-se novamente com o atual prefeito, sem os tucanos, novamente indicar um nome para vice.

Patrus fez questão de destacar as diferenças entre petistas e tucanos, para justificar a impossibilidade de abrigar na mesma coligação as duas siglas. “Somos adversários históricos e temos diferenças claras. É preciso demarcar estas diferenças. Onde estas pessoas estavam na época da ditadura militar? Não queremos o PSDB nesta aliança. Não queremos e vamos trabalhar contra”, frisou, emendando que o atual governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB) é contra melhoria na política salarial de professores. Questionado se concordava com a opinião de Lula, de que “os tucanos não gostam dos pobres”, Patrus disparou: “Eu sempre concordo com o presidente Lula”.

Do grupo de Patrus, o nome mais forte para ser indicado a vice de Lacerda é o do deputado estadual André Quintão. Mais comedido no seu posicionamento, Quintão afirmou que a participação do PSDB, seja formal ou informal, deverá ser discutida posteriormente, entre os militantes petistas. Há um grupo dentro desta corrente do PT que defende candidatura própria. Na votação entre os militantes no final da manhã deste sábado (25), a apuração gerou controvérsias.

Enquanto alguns diziam que houve ampla maioria a favor do apoio a Lacerda, houve quem saiu do auditório gritando que não houve ampla maioria. Como não houve contagem, não se sabe qual foi a porcentagem a favor e contra a aliança com o prefeito. Entre militantes que contaram sobre a votação, a portas fechadas, houve quem disse ter sido uma maioria de 60%, enquanto outros alegavam ter sido mais apertada, em torno de 55%. No próximo mês, o PT realiza uma série de debates a respeito de seu posicionamento eleitoral dentro da sucessão da capital mineira.

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