Novo ministro construiu pontes com a CBF e oposição

Aldo presidiu CPI da Nike. Na juventude, militou ao lado de Renan. Na votação do Código Florestal, se aproximou do DEM e do PSDB

Adriano Ceolin, iG Brasília |

AE
Palmeirense, Aldo é filho de vaqueiro e amigo de Renan
Filho de vaqueiro, alagoano de Viçosa, palmeirense e deputado federal pelo PCdoB de São Paulo que mantém boas relações políticas com setores do PMDB próximos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ele é José Aldo Rebelo Figueiredo, 55 anos, novo ministro do Esporte , pasta alvo de denúncias sobre desvios de recursos e que terá papel fundamental na organização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. “Ele vai assumir um barco no meio à tempestade. Mas é um político experiente e respeitado”, avalia o líder do PCdoB na Câmara, Osmar Júnior (PI).

Apesar de ser de um partido de esquerda, Aldo sempre manteve boa relação com setores do centro e da direita. Na juventude, militou no movimento estudantil ao lado de Renan Calheiros (AL), cujo irmão, Renildo Calheiros, é prefeito de Olinda pelo PCdoB. Renan ajudou Aldo nas vezes que o comunista tentou alçar postos em Brasília, como nas disputas pela Presidência da Câmara e na vaga de ministro do Tribunal de Contas da União. Líder do PMDB do Senado, Renan é um dos políticos de Brasília que mais bem se relaciona com a CBF. Por isso, servirá de ponte entre Aldo e a entidade do futebol no País.

Segundo o iG apurou, a CBF gostou da indicação de Aldo como ministro do Esporte. De acordo com auxiliares próximos do presidente da entidade, Ricardo Teixeira, Aldo teve “uma postura correta com a CBF” quando presidiu a CPI Nike. Em 1999, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara investigou o contrato entre a entidade do futebol brasileiro e a empresa norte-americana que oferece material esportivo para a seleção brasileira de futebol. Naquela oportunidade, até o então jogador Ronaldo Nazário foi convocado para falar sobre a final da Copa-98 em que o Brasil foi derrotado.

Aldo substitui Orlando Silva Júnior, que resolveu pedir demissão em meio à turbulência política provocada por sua suposta participação em um esquema de desvio de recursos de organizações não-governamentais que prestaram serviços no programa Segundo Tempo . Apesar de serem políticos de gerações diferentes, Silva e Aldo têm pelo menos duas semelhanças: ambos presidiram a União Nacional dos Estudantes (UNE) e construíram carreira política em São Paulo. A principal diferença entre os dois é o fato de Aldo ter larga experiência no Congresso. Silva nunca foi eleito para cargo público.

Aldo é o decano na bancada comunista da Câmara. Entre os 14 deputados do PCdoB, é o dono de maior número de mandatos_ seis ao todo desde 1991. A vida no parlamento só foi interrompida por 18 meses. Entre janeiro de 2004 e julho de 2005, foi ministro da Coordenação Política e Relações Institucionais, nomeado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo após o escândalo envolvendo o ex-secretário de Assuntos Parlamentares Waldomiro Diniz, homem de confiança do então ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.

Na oportunidade, Aldo havia se credenciado para ocupar o posto após ser líder do governo na Câmara. Nos  dois casos, no entanto, enfrentou resistência de setores do PT, que cobiçavam tanto o posto no parlamento quanto no Ministério. Aldo acabou resistindo e ascendeu. Em 2005, após o escândalo do "mensalinho" que culminou com a renúncia do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) da Presidência da Câmara, ele acabou eleito para comandar a Casa. Ficou no posto entre 2005 e 2007. Tentou se reeleger na legislatura seguinte, mas acabou derrotado por Arlindo Chinaglia (PT-SP), que fez um acordo com o PMDB para eleger Michel Temer dois anos depois ( em seguida, o peemedebista virou candidato a vice-presidente da República ).

Durante a disputa em 2007, Aldo se aproximou ainda mais do DEM e do PSDB, partidos que fazem o oposição ao Palácio do Planalto e eram contra a candidatura de Chinaglia. A aliança se sedimentou mais recentemente com a atuação de Aldo como relator do novo Código Florestal. O comunista atendeu aos pedidos da bancada ruralista, como a redução das áreas de preservação das propriedades rurais . A postura de Aldo contrariou o Palácio do Planalto, que orientou voto contrário ao relator produzido pelo deputado. O caso gerou ainda uma crise entre a presidenta Dilma Rousseff e a bancada do PMDB, que votou ao lado de Aldo.

A posição divergente entre o Palácio e Aldo sobre o código chegou a ser colocada como empecilho para a sua indicação como novo ministro do Esporte. No entanto, prevaleceu a indicação do PCdoB que, após o pedido de demissão de Orlando Silva, fechou questão para a indicação de Aldo como substituto.

    Leia tudo sobre: Crise no EsporteAldo Rebelo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG