“Marighella foi o grande estrategista da luta armada”

Membros da ALN dizem que carisma e posições firmes de Marighella atraiam para a luta armada contra a ditadura

Severino Motta, iG Brasília | 05/12/2011 06:00

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Foto: PT

Gilney Viana

Coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Gilney Viana esteve com o líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), Carlos Marighella, dois dias antes de seu assassinato. De acordo com ele, o guerrilheiro era carismático e transmitia segurança e serenidade aos companheiros. “Sua morte foi um duro golpe para nossa organização. A morte do comandante é sempre muito traumática e Marighella foi o grande estrategista da luta armada no Brasil”.

Gilney conta que esteve com Marighella na noite de dois de novembro de 1969. Ele queria saber quando poderia ir a Cuba participar de um treinamento para guerrilheiros. “O Marighella me disse que devíamos esperar um pouco pois a situação nas fronteiras estava perigosa. Depois da conversa fui para casa de um operário onde eu estava escondido. Duas noites depois eu estava assistindo a um jogo de futebol e a partida foi interrompida para anunciar a morte dele. O companheiro operário chegou a chorar”, disse.

O militante conta que seu ingresso na luta armada se deu em 1968, justamente após conhecer Marighella, que defendia a ação militar antes mesmo de se criar uma organização central para comandar as operações (ouça entrevista de Marighella veiculada pela rádio Havana em 1967).

“Meu grupo de Minas Gerais foi quebrado devido a várias prisões. Ele propôs algo que achei interessante. Disse que demoraria muito para ter um grupo forte com estrutura central e que por isso deveríamos partir para a ação e resolver estas questões durante o processo de luta. Foi aí que nos convenceu”, disse.

Leia também: Senador que foi da ALN hoje vê erro nas escolhas de Marighella

Quem também teve em Marighella o estímulo para o ingresso na luta armada foi Domingos Fernandes. Militante da ALN, foi preso e conseguiu a liberdade sendo trocado pelo embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, seqüestrado em 1970. Banido do Brasil, retornou apenas em 1979, com a promulgação da Lei de Anistia.

“A presença do Marighella foi fundamental para a luta armada. Não excluo os outros comandantes, mas Marighella foi o personagem que galvanizou o processo de luta armada no Brasil”, disse.

Segundo ele, Marighella colocou a opção pela luta Armanda num momento histórico favorável. “Em 1968 a juventude do mundo inteiro estava se manifestando. Isso fez com que muitos jovens vissem um encanto a mais na resistência armada à ditadura. Eu queria lutar e ingressei na luta após uma reunião com Marighella”, pontuou.

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