Ex-presidente da Casa da Moeda trabalhou na gestão FHC, diz Mantega

"O desempenho de Denucci foi profissional, técnico, satisfatório", avaliou o ministro durante audiência no Senado

iG São Paulo |

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira que o ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci trabalhou no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A declaração foi dada enquanto o ministro justificava a contratação de Denucci durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Mantega é acusado pela oposição de ter protegido Denucci mesmo após suspeitas de cobrança de propina no órgão ligado à Fazenda.

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De acordo com o ministro, Denucci "tinha trabalhado no governo FHC", assim como no Banco Central, no Banco do Brasil, "em postos importantes, de responsabilidade". "Tinha um bom currículo e por isso o nomeei. Fez um bom trabalho. O desempenho dele foi profissional, técnico, satisfatório", avaliou.

Denucci teria recebido até US$ 25 milhões de empresas fornecedoras da Casa da Moeda, segundo o jornal Folha de S. Paulo . Ele só foi demitido depois que Mantega ficou sabendo que a reportagem seria publicada.

Agência Brasil
No Senado, Mantega é cumprimentado pelo novo líder Eduardo Braga. Ao lado, Delcídio Amaral
Respondendo aos questionamentos do líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), o ministro Mantega admitiu que a demissão de Denucci ocorreu após "pressão" por parte de "alguns parlamentares", mas que o desligamento foi antecipado pela reportagem do jornal.

"A partir do ano passado, começou a haver pressões, descontentamento com relação ao desempenho dele ( Denucci ). Alguns parlamentares vinham apontar problemas, irregularidades. Mas alguém formalizou denúncia? Não. Não tem formalização de denúncia. De qualquer forma, continuaram essas pressões e isso começou a criar conflitos dentro da Casa da Moeda e dificultar o trabalho. O próprio Denucci estava incomodado. (...) Ele mesmo pediu sua substituição", disse Mantega.

Segundo o ministro, Denucci seria desligado da Casa da Moeda no início de 2012, completado o exercício de 2011. "Nós apressamos a demissão. Se antecipou um pouquinho para que ele pudesse responder às denúncias", afirmou o ministro.

No início do mês, Mantega já havia dito que a nomeação de Denucci havia sido técnica. De acordo com o ele, em 2008, quando houve mudança na presidência do órgão, o PTB fez indicações, mas os primeiros nomes não foram aceitos. Posteriormente, o partido apresentou o nome de Denucci , acrescentou Mantega.

Hoje, Mantega reforçou que não aceita indicações políticas sem perfil técnico. "Eu não admito nenhum funcionário nos órgaão do ministério que não tenha qualificação técnica para cumprir a função", disse.

Investigação

Depois de dizer que o Ministério da Fazenda não baseia investigações "em boatos e fofocas", mas sim em "denúncia formal", Guido Mantega afirmou que a denúncia sobre eventuais irregularidades na Casa da Moeda estão sendo investigadas.

"Saiu no jornal é considerado uma denúncia. Quando sai no jornal, o Ministério Público tem que investigar. E nós pedimos que isso ocorresse. A Polícia Federal já está no meio", disse.

O ministro lembrou, ainda, que em outubro de 2009, o Ministério Público recebeu uma denúncia anônima sobre contratos de vendas de máquinas na Casa da Moeda, então presidida por Denucci, neste período sofreu modernização de equipamentos.

"O Ministério Público acatou a denúncia, fez a verificação e depois de um ano arquivou sem ter encontrado irregularidades. Alguns meses depois da denúncia, antes do arquivamento, o Ministério da Fazenda ficou sabendo e mandou a Procuradoria investigar o mesmo objeto. Criou-se uma comissão de sindicância e até hoje não se detectou nenhuma anormalidade", afirmou.

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