Dois anos após prisão, Arruda sonha em ser deputado

Mesmo morando em São Paulo, Arruda passa uma semana por mês em Brasília, onde faz política e encontra seus advogados

Severino Motta, iG Brasília |

Agência Estado
Arruda, em foto de arquivo de maio de 2010
Quase dois anos após sua prisão, ocorrida no dia 11 de fevereiro de 2010, o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, sonha com seu retorno à política. Como outros que caíram em desgraça e usaram o parlamento para retornar ao Poder e às benesses do foro privilegiado, Arruda vê na Câmara Federal sua redenção.

De acordo com amigos que frequentam sua casa em Brasília, onde passa cerca de uma semana por mês – no restante, fica em São Paulo com a esposa Flávia e com a filha do casal – Arruda se empolga com as visitas que recebe. Alguns de seus ex-secretários vão à mansão, localizada em bairro nobre Brasília, acompanhados de ex-correligionários e pessoas que prometem votar no ex-governador independentemente do cargo que disputar.

Contudo, ao flertar com uma possível volta à Câmara, Arruda não esconde certo receio. Confessa aos amigos que teme uma campanha midiática para desestabilizar sua eventual candidatura. “A imprensa não daria trégua”, disse o ex-governador a um dos frequentadores da mansão. Além disso, estuda uma solução para outro problema: encontrar um partido que lhe abrigue na empreitada.

Amigos acreditam que ele revê sua história ao mirar a Câmara dos Deputados. Isso porque, depois de ter de renunciar ao Senado no episódio da quebra do painel eletrônico, sua volta como deputado lhe permitiu a eleição para o governo do Distrito Federal.

Além do desejo de ser deputado, o ex-governador tem dedicado parte do seu tempo à leitura. No final do ano passado, conversando sobre livros com um amigo, ficou sabendo da publicação de “Pandora”, do jornalista Ricardo Callado, em que a história de sua prisão e queda é narrada. Dias depois recebeu um exemplar de presente e iniciou a leitura.

Piadas

Diferente do Arruda barbudo e depressivo que deixou a prisão em 2010, o ex-governador está com aspecto sadio, conta piadas e ri de comentários dos amigos. “Ele está de bom humor, não está cabisbaixo como naquela época. Está como era antigamente”, disse ao iG um de seus ex-secretários.

Discreto, quando está em Brasília Arruda fica em sua casa e só sai para ir ao escritório de seus advogados. Fora da capital, mora num apartamento em São Paulo. Com os bens bloqueados pela Justiça, vive de sua aposentadoria da Companhia Energética de Brasília (CEB) e do salário da companheira, que é produtora da editoria de esportes no departamento de jornalismo da Band.

Em São Paulo o ex-governador também tem usado parte do seu tempo para a reflexão espiritual. Segundo amigos, passou a acreditar em karma, e está cada vez mais próximo do espiritismo.

Nas conversas com colegas também tem colocado no foco o atual governador de Brasília, Agnelo Queiroz. Acredita que as denúncias contra o petista não ganham a proporção que deveriam. Diz ainda que os estudantes, que saíram às ruas para pedir sua cassação, não fazem o mesmo com Queiroz.

Corrupção no DF

O escândalo do DF foi revelado pelo iG em novembro de 2009. De acordo com o Ministério Público, o ex-governador Arruda, que chegou a ser preso, liderava um esquema de desvio de recursos públicos para enriquecimento pessoal e para o pagamento de deputados da base aliada. O esquema foi desmontado com a operação Caixa de Pandora da Polícia Federal.

Leia o especial do iG sobre o escândalo do mensalão do DF

Na época em que noticiou o escândalo, o iG trouxe a público o vídeo em que Arruda aparecia recebendo propina . Além disso, a reportagem revelou diversos vídeos que incriminavam outros envolvidos. Também obteve acesso ao conteúdo do inquérito que deflagrou a operação Caixa de Pandora e antecipou os principais acontecimentos relacionados ao caso.

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