“É um explícito desgaste político”, avalia o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) sobre rejeição de nome de confiança da presidenta

Partido do vice-presidente Michel Temer , o PMDB já vinha dando sinais de insatisfação ao longo do ano passado. Contudo, nesta quarta-feira, o movimento rebelde ficou veio à tona na votação no Senado para a recondução de Bernardo Figueiredo para a diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT).

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Por 36 votos a 31, o Senado rejeitou Figueiredo, nome de confiança da presidenta Dilma Rousseff . “É um explícito desgaste político”, avalia o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). “Há uma insatisfação de setores da bancada da base aliada. Resolveram sacrificar um técnico de grande qualidade do governo ( Bernardo Figueiredo )”, completa.

Um dos poucos governistas a tentar defender a votação a favor de Figueiredo, o senador Lindebergh Farias (PT-RJ) afirmou que houve uma articulação para impor a derrota. “Foi um recado do PMDB. O partido articulou para derrotar o governo”, diz o senador petista.

Em setembro de 2011, petistas receberam um bolo do PMDB celebrando o
Divulgação/PT
Em setembro de 2011, petistas receberam um bolo do PMDB celebrando o "Amor à 15ª vista"
Integrante da ala independente do PMDB, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou que o líder da bancada do partido, Renan Calheiros (AL), e o presidente do Senado, José Sarney (AP), “vão comemorar a derrota”. “Eles estão pressionado o governo. Votaram com o interesse da hora porque querem alguma coisa”, afirma Simon.

O Poder Online antecipou na manhã desta quarta-feira que o PMDB vive um racha no Senado . Então aliado de Calheiros e Sarney, o senador Vital do Rêgo (PB) resolveu aderir ao grupo de oito senadores peemedebistas insatisfeitos com os dois líderes. O movimento, porém, ajuda Calheiros e Sarney a se valorizarem junto ao Palácio do Planalto.

Ao longo de 2011, o PMDB do Senado manteve-se aliado do governo Dilma. A maioria das críticas sempre partiu da bancada da Câmara, onde um grupo de 54 deputados chegaram a apresentar um manifesto com uma série de reclamações contra Dilma e o PT.

Temer tentou esvaziar o movimento, pedindo para que todos assinassem o texto e transformassem o caso numa discussão interna do partido. O que não se esperava é que a insatisfação chegasse tão rápido ao Senado.

Outros partidos da base, como PR e o PDT, também estão insatisfeitos com Dilma. As duas legendas tentam indicar nomes para os ministérios dos Transportes e do Trabalho, respectivamente. Os dois partidos também ameaçam apoiar a candidatura de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo contra o candidato do governo Fernando Haddad (PT).

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