Com poucas chances, oposição ao prefeito Eduardo Paes mira em 2014

Aliança das famílias Maia e Garotinho e Marcelo Freixo tentam levar disputa para 2º turno, lutando contra alta aprovação da gestão

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Com poucas chances de derrotar o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB) nas eleições desse ano, a oposição no Rio já mira no pleito estadual de 2014, como uma tentativa de enfraquecer o grupo do governador Sérgio Cabral (PMDB). Da mesma maneira que as eleições municipais de São Paulo terão repercussão nacional, a disputa da capital fluminense influirá no âmbito estadual.

Leia também: Em tom de campanha, Dilma elogia Eduardo Paes no Rio

Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma inaugura ao lado de Eduardo Paes uma Clínica da Família no Rio de Janeiro
Com boa avaliação em pesquisas de opinião (46% dos entrevistados pelo Ibope avaliam sua administração como ótima ou boa e só 17% como ruim ou péssima), Paes é o líder disparado das intenções de voto para ser o prefeito das Olimpíadas de 2016 , de acordo com pesquisa do Ibope, de janeiro. Conta com a máquina pública, o apoio de Cabral, da presidenta Dilma Rousseff e de cerca de 20 partidos.

Em pesquisas do Ibope, em janeiro, tinha 43% das intenções de voto, contra apenas 9% de Marcelo Freixo (PSOL), 5% de Rodrigo Maia (DEM) e 2% de Otávio Leite, justamente no cenário eleitoral mais provável para outubro. Se não houver grande mudança, é provável que a disputa seja decidida até no primeiro turno.

O senador Marcello Crivella (PRB), nome constante nas últimas eleições e eleitorado cativo em torno dos 20% - pesquisa de janeiro lhe dava 18% -, assumiu o Ministério da Pesca e foi neutralizado, diminuindo ainda mais as chances de acontecer um segundo turno.

Aliança dos Garotinho com os Maia

Só nessas circunstâncias se explica aliança circunstancial de desafetos antes tão díspares, como a das famílias Anthony Garotinho (PR) e Cesar Maia (DEM), dois dos principais clãs políticos do Rio nas últimas duas décadas, com a ideia de que só novos representantes dos dois principais clãs políticos nas duas últimas décadas poderiam derrotar o prefeito atual.

Saiba mais: Cesar Maia e Garotinho usam 'valores cristãos' contra Paes no RJ

Com caras novas (o deputado federal Rodrigo Maia como pré-candidato a prefeito e a deputada Clarissa Garotinho a vice), mas imagem ainda muito vinculada à dos pais, a dupla faz uma tentativa de diminuir a supremacia de Paes e lançar bases para 2014.

É também uma estratégia de sobrevivência, para os nomes Maia e Garotinho não ficarem ausentes do debate eleitoral e do imaginário popular. O foco principal da chapa será a zona oeste, populosa e antiga base de Cesar Maia – nesta gestão, também priorizada por Paes.

Fabio Motta/ Agência Estado
"Desde que iniciei minha vida pública, sonho em chegar ao executivo", disse Clarissa, ao lado de Rodrigo Maia
Paralelamente, de olho no projeto 2014, resta à oposição buscar ocupar espaços no interior e Baixada Fluminense, pavimentando caminho possível para tentar tirar o PMDB do governo estadual. Assim, tendo Rodrigo Maia e Clarissa na capital, Maia e Garotinho, principalmente, se voltam em 2012 também para o interior do Estado, procurando ajudar a eleger prefeitos em cidades pequenas e médias, que lhes garantam sustentação para ter chances em 2014, contra o candidato de Cabral, ainda a ser escolhido.

Leia também: Clarissa Garotinho oficializa candidatura a vice na chapa de Rodrigo Maia

Nesse quadro, com o prefeito candidato à reeleição e representantes de velhos grupos fora do poder, a novidade é o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Ele tenta repetir o sucesso eleitoral de Gabeira, que – amparado por um movimento iniciado pela classe média – conseguiu levar a eleição de 2008, contra Paes, ao segundo turno.

Notabilizado pelo combate às milícias e pela defesa dos direitos humanos, Freixo foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio em 2010 (177.253 votos), atrás apenas do apresentador Wagner Montes. Freixo também ganhou fama por ter servido como inspiração para o personagem Diogo Fraga, do campeão de bilheterias Tropa de Elite 2. Preferido da esquerda e de setores artísticos e culturais, o deputado convidou o músico Marcelo Yuka para ser seu vice. Falta-lhe, porém, base política aliada e dinheiro para campanha.

Pouco expressivo eleitoralmente no Rio de Janeiro nas últimas décadas, desde Marcello Alencar, o PSDB mais uma vez tem um candidato de pouca densidade eleitoral. Deputado atuante mas sem tanto carisma, Otávio Leite deverá ter dificuldade para crescer muito além dos atuais 2%. O PV ainda estuda se lança a deputada estadual Aspásia Camargo.

Apoiado por Cabral e Dilma, atual prefeito tem imagem positiva

A maneira de governar de Paes é aprovada por 68% dos moradores ouvidos por pesquisa do Ibope realizada em janeiro. Os números são semelhantes aos de seu padrinho político, Sérgio Cabral (51%), em quem os adversários miram, já com vistas a 2014, quando o governador não poderá concorrer novamente – já está no segundo mandato.

Paes conseguiu estabelecer uma imagem de prefeito jovem e moderno, focado em gestão, metas e planejamento. Para isso, contribuiu a conquista, em seu primeiro ano, da sede das Olimpíadas de 2016. Os Jogos passaram a servir como forte impulsionador de empreendimentos e investimentos na cidade.

O “Choque de Ordem”, no âmbito de organização da cidade, e o investimento em grandes obras, como as intervenções do PAC em favelas, a revitalização da área portuária – “Porto Maravilha” – e as vias expressas Transolímpica, Transoeste, Transcarioca, destacam-se como algumas de suas principais ações. As UPAs e as Clínicas de Família foram as principais realizações na Saúde.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG