Clarissa Garotinho sobre aliança com o DEM: ‘Minha participação não é certa'

Deputada estadual e filha de Garotinho diz que só entra na chapa de Rodrigo Maia pela Prefeitura do Rio se ‘for possível ter agenda conjunta'

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Flávia Salme/iG
Clarissa em seu gabinete na Alerj: 'A aliança está praticamente consolidada, a minha participação é que ainda não é certa'
Cesar Maia foi categórico sobre a possível chapa formada por seu filho, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM), e a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR) para disputar a Prefeitura do Rio em 2012: “o casal já passou a lua de mel e o filho vai nascer”, ele afirmou. Clarissa, no entanto, faz suspense sobre seu papel na disputa. “Não, não tem nada disso. 

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Seu nome foi apresentado como pré-candidata a vice-prefeita por seu pai, o deputado federal Anthony Garotinho, e os caciques do DEM fluminense, Cesar e Rodrigo. Inicialmente, ela diz que relutou, mas afirma que hoje entende melhor os planos das duas legendas – que querem frear o PMDB no estado – e já considera a possibilidade de dizer sim. “Se for possível construir uma agenda conjunta com o PR, pode ser que a gente siga junto, sim”.

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Enquanto não se decide, a deputada não poupa críticas ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, a quem até o ano passado fez oposição enquanto estava na Câmara Municipal. “Acho que o Eduardo tem uma característica positiva: ele vai às ruas, é presente, trabalhador. Mas, às vezes, ele se comporta como uma figura secundária, auxiliar do Cabral, e não como o prefeito da cidade do Rio de Janeiro”, diz.

Clarissa foi eleita vereadora da capital em 2008, com cerca de 42 mil votos. Dois anos depois, conseguiu um assento na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) com o apoio de quase o triplo de eleitores: 118 mil votos, o que fez dela a mulher mais votada da Casa.

Embora não negue o vínculo político com seus pais, os ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho, a deputada de 29 anos faz questão de ressaltar as parcerias com os rivais da família. “As afinidades de trabalho acabam me aproximando de pessoas que sempre foram de oposição a nós, mas eu entendo são pessoas sérias. Meu mandato sempre foi muito independente”, afirma.

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A deputada reforça o coro de seu grupo político, que quer frear a expansão do PMDB no Rio de Janeiro. Mas diz que vota com a favor do governo Sérgio Cabral quando julga a proposta boa. “Ideologicamente, sou oposição. Mas já votei diversas vezes a favor de mensagens do governo, porque o interesse público tem que estar em primeiro lugar”, assegura.

A seguir, ela apresenta suas condições para formar uma chapa com o DEM e avalia a acirrada disputa entre PR e PMDB, sua ex-legenda.

Divulgação
Cesar Maia e seu filho, o deputado federal Rodrigo Maia
iG: Aceitou ser pré-candidata a vice-prefeita do Rio ao lado de Rodrigo Maia?
Clarissa Garotinho:
Não, não tem nada disso. Existe uma aliança que começou com o Garotinho e o Cesar Maia e foi firmada tendo em vista as eleições municipais. O opositor hoje é o PMDB, que é a maior força política no estado. O único partido que realmente tem condições de fazer frente a esse crescimento é o PR, principalmente no interior e nas cidades da região metropolitana. O DEM vem de um processo de desgaste grande, além de ter perdido muitos deputados para o PSD; precisa de uma aliança no Rio. Assim, qual o acordo? O DEM apoiará o PR no interior na maioria das cidades, com raríssimas exceções, e o PR apoiará o DEM na capital. A princípio, não se discutiu nomes, com exceção do Rodrigo Maia, que faz questão de ser candidato.

iG: Iniciaram as conversas sem você. Isso te deixou chateada?
Clarissa Garotinho:
Acho que não poderia ser diferente. Não falaram como uma imposição, falaram que ‘gostariam que fosse eu’. Mas não falaram diretamente para mim, né? Quando alguém vai pedir o outro em casamento, é de costume o noivo pedir a mão da noiva ao pai, então, acho que tentaram ser gentis (risos).

iG: E agora, já participou de alguma conversa sobre essa aliança?
Clarissa Garotinho:
Há duas semanas o Rodrigo me convidou para jantar. Até então, ninguém tinha falado comigo, estava tudo entre o Rodrigo, Garotinho e Cesar. Quando soube, relutei. Não pela aliança em si, mas eu achava que o PR tinha de ter candidato próprio, pois eleição é o momento que o partido tem para mostrar suas propostas. Porém, entendo que não estamos disputando só a capital, disputamos 92 municípios. Para isso, uma aliança como essa é estratégica. Está praticamente consolidada, minha participação é que ainda não é certa.

iG: Como foi a conversa com o Rodrigo?
Clarissa Garotinho:
O Rodrigo argumentou que se estivermos juntos nossa chapa será mais forte para chegar ao segundo turno. Eu expliquei que existem algumas dificuldades de programa de governo, de afinidade política, mas que nada era impossível. O mais importante é iniciar um processo de conversas para saber o que cada um pensa, e ver se é possível ter uma agenda conjunta para a cidade.

Léo Ramos
Clarissa Garotinho na Câmara Municipal:oposição a Cesar Maia (ela apresentou o pedido de CPI para investigar gastos da Cidade da Música) e a Eduardo Paes
iG: Você já manifestou desejo de prefeita do Rio. Concorrer a vice lhe agrada?
Clarissa Garotinho:
Participar de um processo político é sempre importante. É o momento em que as pessoas podem te conhecer, você pode falar e quebrar preconceitos... Mas não quero isso a qualquer custo, tenho de ter certeza de que é possível construir uma agenda conjunta. Por quê? Tive divergências com o DEM. Questionei muito a Cidade da Música, apresentei o pedido de CPI na Câmara de Municipal para investigar os gastos com a obra. Tem outras questões, como a aprovação automática. Disse para o Rodrigo que sou contra, e ele me esclareceu que a forma como o ensino seriado foi implementado gerou confusão. O sistema de ciclos funciona em várias partes do mundo, e acho que não é de todo ruim. Enfim, se for possível construir com uma agenda conjunta com o PR, pode ser que a gente siga junto, sim.

iG: Como eles conseguiram quebrar a sua resistência a esse acordo?
Clarissa Garotinho:
Eles argumentam que de todos os nomes que o PR tem o meu é o melhor, porque agrega a força política do Garotinho. Tem também o fato de a maior parte dos meus votos terem vindo da capital e, além disso, represento a juventude. De uma forma geral, consigo circular bem entre todas as forças políticas, inclusive aquelas que sempre foram oposição a nós. Na Câmara eu participava do bloco do Sirkis ( deputado federal Alfredo Sirkis, PV-RJ ), da Andrea Gouvea Vieira (PSDB), do Stepan Nercessian ( deputado federal, PPS-RJ ). Na Alerj, por exemplo, minha relação de trabalho é excelente com o Comte Bittencourt (PPS), com o Luiz Paulo (PSDB), que já disputou uma eleição contra o meu pai.

iG: E como você explica essa relação com a oposição?
Clarissa Garotinho:
Acho que filho de políticos, principalmente aqueles que foram bem sucedidos, sempre vão ter a marca de ‘filhos de políticos’. E eu não quero tirar essa marca, tenho muito orgulho do meu pai, ele é meu líder político, uma pessoa que admiro. Mas é evidente que em vários aspectos nós pensamos diferente e isso tem que ser respeitado. As afinidades de trabalho acabam me aproximando de pessoas que sempre foram de oposição a nós, mas entendo que são pessoas sérias. Meu mandato é independente. Ideologicamente, sou oposição. Mas já votei a favor de mensagens do governo diversas vezes, porque o interesse público tem que estar em primeiro lugar.

iG: Sente-se preparada para disputar com o prefeito Eduardo Paes, que tentará a reeleição com apoio do governador Sérgio Cabral?
Clarissa Garotinho:
Acho que o Eduardo tem uma característica positiva: ele vai às ruas, é presente, trabalhador. Mas também é submisso às vontades do governador. Às vezes, ele se comporta como uma figura secundária, um auxiliar do Cabral, e não como o prefeito da cidade do Rio de Janeiro. Muitas vezes a gente já viu o governador anunciar coisas da prefeitura antes de o próprio prefeito e já teve vezes de ambos discordarem e prevalecer a opinião do governador. Acho que falta a ele um pouco de postura, de agir como líder. Ele faz uma gestão que se preocupa em fazer mais e não em fazer melhor.

iG: Nas duas campanhas que você disputou até agora, o rosa e o lilás foram usados no material de divulgação. Se aceitar o convite para concorrer a vice na chapa de Rodrigo Maia essas cores serão obrigatórias?
Clarisa Garotinho:
Alguma coisa vai ter que ter, né (risos)? Se não fica tudo muito igual, sempre amarelo, azul, vermelho... Sem graça, né?


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