Clarissa Garotinho: Não estou aqui por ser filha de governadores

Aos 29 anos, a deputada estadual pode ser vice de Rodrigo Maia nas eleições de 2012 no Rio de Janeiro

Nara Alves, iG São Paulo |

Filha do deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ), a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR-RJ) pode selar uma aliança inédita entre sua família e o clã do ex-prefeito Cesar Maia (DEM-RJ). Por décadas, as duas famílias foram arqui-rivais, mas em 2012 estarão unidas contra o candidato do governo, o prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ). A deputada deverá ser candidata a vice-prefeita da capital fluminense na chapa encabeçada pelo deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ).

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Aos 29 anos, Clarissa Garotinho está em seu segundo mandato legislativo. O primeiro, na Câmara Municipal, foi o período mais difícil de sua breve carreira política, segundo ela. “Primeiro, era mulher num ambiente predominantemente machista. Segundo, era a mais nova. Terceiro, tinha de provar que eu não estava ali só porque era filha de dois ex-governadores”, disse. Sua mãe, Rosinha Garotinho (PR-RJ), além de ex-governadora do Rio é prefeita de Campos dos Goytacazes.

Flávia Salme/iG
Clarissa em seu gabinete na Alerj: 'A aliança está praticamente consolidada, a minha participação é que ainda não é certa'

Por telefone, a deputada conversou com o iG sobre sua experiência na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e sua expectativa sobre as eleições de 2012. Leia os principais trechos da entrevista.

iG – Já está 100% fechada a aliança com o DEM?
Clarissa Garotinho – Sim. Eu defendia candidatura própria, mas meu partido fechou a aliança. O Rodrigo sugeriu que fosse o meu nome na vice. Tivemos um jantar há algumas semanas e conversamos. Eu disse para ele que existiam algumas dificuldades de afinidade política. Embora eu nunca tenha governado, nem ele, nossos pais foram opositores durante muito tempo. Então, é difícil, mas não é impossível. Ainda vamos ver se é possível montar um programa de governo comum.

iG - Como tem sido sua experiência na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro?
Clarissa Garotinho – Tem sido ótima. Eu gosto de trabalhar ali. Nós tivemos a oportunidade de trabalhar em defesa dos Bombeiros, no aumento salarial. Estou presidindo uma comissão que acompanha as obras do Porto do Açu, que será o terceiro ou quarto do mundo. Sou da Comissão de Educação também.

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iG – Como é sua relação com outros parlamentares?
Clarissa Garotinho
– Na minha estada no Parlamento, tanto na Câmara como agora, minha relação é sempre melhor com parlamentares de oposição à minha família. Não sei por quê. Na Câmara, eu sempre trabalhei, por exemplo, com a Andrea Gouvêa ( vereadora pelo PSDB ), que pode ser candidata à Prefeitura do Rio também. Aprendi muito com ela, especialmente na questão de Orçamento. Agora, na Assembleia, trabalho bastante com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) também. Acho que é porque eu sei que eles têm um trabalho sério.

iG - Qual foi o momento mais difícil da sua carreira política até agora?
Clarissa Garotinho – Eu não sei se tive, mas o partido teve. Nós elegemos nove deputados e perdemos quatro para o PSD, o que dividiu nossa bancada.

iG - Em algum momento você sentiu dificuldade por ser jovem ou por ser mulher?
Clarissa Garotinho – O início do meu primeiro mandato, como vereadora na capital, foi o momento mais difícil por três motivos. Eu era a mais jovem, mulher, e filha de dois ex-governadores. Primeiro, era mulher num ambiente predominantemente machista. Segundo, era a mais nova parlamentar. Terceiro, tinha de provar que eu não estava ali só porque era filha de políticos. Eu sou filha de políticos, sim, mas eu estou aqui porque gosto. Eu era uma das mais frequentes na Câmara. Apresentei um projeto para reduzir as férias dos vereadores. Mas, toda vez que projeto era votado, o plenário era esvaziado. Filhos de políticos serão sempre vistos como filhos de políticos. Eu admiro muito meus pais, mas a gente também diverge.

iG – Em que momento vocês já divergiram?
Clarissa Garotinho - Nas eleições presidenciais passadas, o partido ficou dividido entre o José Serra (PSDB-SP) e Dilma Rousseff (PT). Ele ( o deputado Anthony Garotinho ) defendeu apoiar Dilma. Eu preferi apoiar o Serra. Acabou que o partido ficou independente, de tão dividido. Ele, tendo sido governador, ela, tendo sido governadora, a palavra deles sempre pesa. Mas eu sou de uma nova geração, que tem novos compromissos, como com tecnologia e meio ambiente.

iG – Em 2012, o alvo será o PMDB?
Clarissa Garotinho - O adversário é o prefeito Eduardo Paes (PMDB), que tem o apoio do governo federal, do governo estadual, o discurso das Olimpíadas e muito dinheiro. Ele, enquanto líder político, se comporta como um auxiliar do governador. Diversas vezes, eles divergiram e prevaleceu a posição do governador. Muitas obras, muita gente está sendo removida de suas casas, com indenizações muito baixas, deixadas à própria sorte. O choque de ordem, por exemplo, devia ser um choque de cidadania. Hoje ele está bem porque não tem oposição. Mas ele vai ser cobrado na eleição.

iG – Você pensa em casar e ter filhos?
Clarissa Garotinho - No momento estou solteira. Mas eu penso em casar e ter filhos, sim. Neste momento, meus planos estão no Rio de Janeiro, mesmo. Eu tenho consciência de que o dia em que eu formar minha família, vai ser uma jornada difícil. Eu vi isso porque meu pai sempre foi político e minha mãe sempre foi mais presente em casa. Quando ela virou governadora, eu vivi isso. Eu vi o quanto aquilo era pesado para ela. Se ela tivesse em reunião, ela parava e nos atendia. Isso talvez tenha sido o maior sacrifício para ela. Mas não é só a quantidade de tempo que importa, é a qualidade desse tempo também.

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