Após 10 anos, protesto pede apuração da morte de Toninho do PT

Familiares do prefeito assassinado de Campinas convocaram ato para este sábado, cobrando investigação do caso

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Passados dez anos da morte do prefeito assassinado de Campinas, Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, um ato público agendado para este sábado vai cobrar o andamento das investigações. Convocado por familiares de Toninho, o evento está marcado para as 9 horas deste sábado, na praça da Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, no centro da cidade. Às 19h30, haverá uma missa e uma apresentação da Orquestra Sinfônica do município.

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Protesto realizado em 2004 pedia ao então presidente Lula investigação da morte do prefeito assassinado

O prefeito eleito em 2000 foi atingido com um tiro na noite de 10 de setembro de 2001, após sair do Shopping Iguatemi. Toninho foi encontrado morto dentro de seu carro, um Palio, na Avenida Mackenzie. O prefeito não utilizava carros oficiais fora do expediente e não tinha seguranças. Hoje, 9, cerca de 70 pessoas participaram de um ato ecumênico realizado no local do crime.

O aniversário da morte do prefeito ocorre em meio à turbulência política que atinge a cidade. O PT retornou ao comando da prefeitura no mês passado, após vereadores cassarem o mandato do então prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) , conhecido como Dr. Hélio. Quem assumiu foi o vice petista Demétrio Vilarga , que também foi alvo das investigações do Ministério Público que serviram de estopim para o impeachment do pedetista. A crise na cidade teve início em maio deste ano, quando uma operação desmantelou um suposto esquema de fraudes em licitações na Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa).

A data levou a viúva de Toninho, Roseana Garcia, a visitar Brasília na última terça-feira, para pedir que as investigações passem a ser comandadas na esfera federal. Na ocasião, ela afirmou que, caso não haja desdobramento de seu pedido, ela e seu advogado recorrerão à comissão de direitos humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). A viúva diz não ter dúvidas de que o crime foi político. Até hoje não se sabe quem matou Toninho.

Investigações reabertas

O caso passou pela Polícia Civil de Campinas e pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo. O Ministério Público Estadual em Campinas chegou a apontar a quadrilha do sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, como responsável pelo assassinato, mas o juiz José Henrique Torres não aceitou a denúncia. Os promotores recorreram da decisão do juiz no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que manteve a sentença de Torres. No fim do ano passado, as investigações foram reabertas pela Justiça.

Em sua viagem a Brasília, a viúva solicitou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a entrada da Polícia Federal do caso. Roseana e o advogado da família também pediram ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a federalização das investigações. "A PF pode cooperar no caso, mas como estamos em uma República, deve haver uma conversa com o governador do Estado de São Paulo. Pedimos que o ministro tivesse essa conversa", disse Roseana.

"O procurador-geral precisa enviar o pedido de federalização ao Superior Tribunal de Justiça. E sabemos que só houve um caso de federalização, o do Manoel Mattos ( advogado pernambucano morto em 2009 e cujo crime foi o primeiro a sair da jurisdição de um estado para ser julgado pela União ), mas o caso do Antonio é emblemático, é um atentado contra a democracia."

*Com informações da Agência Estado

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