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Carmerino Souza afirma que o dinheiro encontrado em apartamento de Geddel Vieira Lima (MDB), ex-ministro de Michel Temer, era parte de um acordo de financiamento firmado com o político quando ele estava na Caixa

Dinheiro encontrado em
Divulgação/Polícia Federal
Dinheiro encontrado em "bunker" de Geddel Vieira Lima é "simples guarda de valores", diz defesa de ex-ministro de Temer

Nove meses depois de a Polícia Federal, provocada por uma denúncia anônima, encontrar R$ 51 milhões em dinheiro vivo em um apartamento atribuído por investigadores a Geddel Vieira Lima (MDB) , ex-ministro de Michel Temer , o acusando ainda não apresentou explicações convincentes. De acordo com seus advogados, o chamado “ bunker de Geddel ” trata-se de “simples guarda de valores”. Uma nova via de explicação, contudo, surgiu em Salvador na última semana.

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O empresário baiano Carmerino Souza, que afirma ser presidente do grupo Polocal, que reuni 30 empresas do setor do setor de automóveis, reivindica a posse do dinheiro. A informação é do jornal O Estado de S.Paulo .

Ele diz que, ao contrário do que pensam os procuradores, para os quais o valor seria fruto de propinas da Odebrecht, os R$ 51 milhões eram parte de um acordo firmado entre ele e Geddel, quando este era vice-presidente da Caixa, pela liberação de uma linha de financiamento de R$ 110 milhões junto ao BNDES.

A transação, segundo ele diz acreditar, aconteceria dentro do previsto em lei. Ele diz que realizou os pagamentos em dinheiro porque, em sua empresa, os clientes costumavam pagar em espécie pois muitos estavam “negativados” nos bancos.

Ele detalhou a forma como teria feito o dinheiro chegar ao ex-ministro, que afirma conhecer há mais de 20 anos. Dezenove malotes, contendo ao todo R$ 65 milhões, teriam sido entregues na Superintendência da Caixa em Salvador no fim de 2015. A contrapartida esperada, a abertura da linha de financiamento, nunca saiu, disse.

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O empresário afirma guardar recibos da transação. “De qualquer forma, deve ter imagens de câmaras de segurança mostrando a entrega dos malotes. Já pedi isso à Caixa, mas eles não me atendem”, disse ao Estadão .

Carmerino não duvida da lisura de Geddel no acordo, mas cobra uma explicação sobre o acontecido e quer reaver os valores. “Se ele guardou o dinheiro, é porque não tinha nenhuma maldade”, afirma.

Ele diz, também, que procurou a defesa da Geddel e a Polícia Federal para explicar o caso. Ao Estadão, os advogados de Geddel afirmam que as alegações de Carmerino são “absurdamente mentirosas”.

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