De acordo com delatores da empresa, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) negociava doação para a campanha de seu pai, Cesar Maia

Maia tem se colocado como nome governista na disputa pela presidência da República
Beto Barata/PR - 22.8.16
Maia tem se colocado como nome governista na disputa pela presidência da República

Um investigação da Polícia Federal conseguiu provas de que Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos deputados, esteve na sede carioca da Odebrecht no mesmo dia em que o sistema interno da empreiteira acusa um pagamento ilegal ao pai do deputado, o vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia. A informação é do jornal O Globo .

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Ex-funcionários da empresa, em acordo de delação premiada fechado com o Ministério Público, afirmaram que Maia negociava à época o caixa dois da campanha de seu pai ao Senado. Nos registros de entrada no prédio da Odebrecht , constam visitas do deputado em 2010, 2011, 2012 e 2013.

Nestas ocasiões, o hoje presidente da Câmara se encontrou com Benedicto Junior, diretor-presidente da empresa. Em sua delação, Junior diz ter feito pagamentos ilegais tanto a Rodrigo quanto ao seu pai – os dois eram conhecidos, nas tabelas internas da Odebrecht, como “ Botafogo ” e “Déspota”, respectivamente.

Uma das visitas do deputado à Benedicto – no dia 30 de setembro de 2010 – coincide com a data em que, segundo o sistema interno da Odebrecht, realizou-se um repasse de R$100 mil ao “Déspota”. De acordo com Junior, os pagamentos eram sempre em dinheiro. Nas semanas que antecederam o encontro, outros três pagamentos, de R$100 mil cada, também estão computados nas planilhas da construtora.

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Os depoimentos e a comprovação da visita à sede da Odebrecht podem complicar a situação do deputado. Ele, que tem se colocado como nome governista na disputa pela presidência da República, é alvo já de dois inquéritos na Lava Jato.

Para Rodrigo Janot, na época procurador-geral da República, as operações entre o presidente da Câmara e a empreiteira “não se tratam de mera doação eleitoral irregular. Vislumbram-se, na verdade, uma solicitação indevida em razão da função pública que se almeja ou que se ocupa”.

Em sua defesa, Rodrigo Maia nega ter recebido ou solicitado pagamentos ilícitos. Ele também afirmou “não se lembrar” das visitas à empreiteira e diz desconhecer a alcunha de “Botafogo”. Quanto às menções ao seu nome nas planilhas de caixa dois da Odebrecht, Maia diz que pode ter havido “confusão” nas delações.

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