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Dentro do partido, nome de Dória ganha força. Há a possibilidade dos tucanos apoiarem a candidatura do vice-governador Márcio França, do PSB

Coincidência ou não, a decisão de Serra foi tomada semanas após uma delação premiada envolvendo seu nome
Marcos Oliveira/Agência Senado
Coincidência ou não, a decisão de Serra foi tomada semanas após uma delação premiada envolvendo seu nome

O senador José Serra (PSDB-SP) anunciou, na noite de quinta-feira (18), que não será candidato ao governo de São Paulo nas eleições de 2018. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo , o tucano afirmou que irá se dedicar ao seu mandato no Congresso, que vai até 2022.

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José Serra era um dos nomes mais cotados pelo PSDB paulista para disputar o governo neste ano. Agora, os principais nomes do partido para concorrer ao Bandeirantes são os de João Dória, prefeito de São Paulo, Floriano Pesaro, secretário de Desenvolvimento Social do Estado, o ex-senador José Aníbal e o cientista social Luiz Felipe D´Ávila .

Há, também, a possibilidade de o partido apoiar Márcio França, do PSB. Ele é vice-governador do estado, e, em entrevistas recentes, disse que irá concorrer ao governo “com ou sem” o endosso dos tucanos.

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A expectativa de França e do PSB é que os tucanos apoiem sua candidatura em São Paulo – até porque, para ganhar valiosos minutos de TV no horário eleitoral a partir de agosto, Alckmin, que deve ser candidato à presidência da República, precisará do apoio nacional do PSB. Os tucanos governam São Paulo desde 1995.

Lava Jato

A decisão de Serra de se retirar da disputa pela vaga, conforme o Estadão , não foi comunicada ao partido – as lideranças do PSDB souberam da notícia pela imprensa.

Coincidência ou não, a opção de Serra por não concorrer foi tomada semanas após uma nova delação premiada envolvendo seu nome vir à tona. O ex-presidente da Odebrecht, Pedro Novis, que esteve à frente da empresa entre 2002 e 2008, disse, em acordo de delação premiada, que o senador solicitou R$52,4 milhões à construtora. Os pedidos foram feitos, e atendidos, entre 2002 e 2012, e se destinavam a Serra e seu partido, o PSDB .

A assessoria do senador afirmou que ele jamais recebeu propinas ou doações indevidas. Ainda, disse que Serra nunca trabalhou para favorecer a Odebrecht nos cargos em que ocupou no governo.

Em nota, concluiu, por fim, que as acusações são antigas e que o depoimento foi “requentado”, presumivelmente para atingir José Serra.

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