Testemunhas contestam versão de Garotinho sobre suposta agressão na cadeia

Delegado responsável por investigação ouviu agentes penitenciários e diretor da prisão; ex-secretário Sérgio Côrtes também será ouvido
Foto: Reprodução
Imagens divulgadas pela equipe de Anthony Garotinho mostram ferimentos do ex-governador

Nenhuma das sete testemunhas ouvidas até o momento corroborou com a versão apresentada por Anthony Garotinho sobre a  suposta agressão que o ex-governador do Rio de Janeiro teria sofrido dentro da prisão de Benfica, na zona norte do Rio, na semana passada. A informação foi passada nesta segunda-feira (27) pelo delegado responsável por investigar o caso, Wellington Vieira, da delegacia de Bonsucesso.

O delegado contou que quatro agentes penitenciários e o diretor do presídio de Benfica já prestaram depoimento e disseram ser "quase impossível que tenha acontecido" a agressão narrada por Anthony Garotinho , conforme reportou a TV Globo .

Apesar disso, o chefe da delegacia de Bonsucesso afirmou que ainda não está descartada a hipótese de agressão e que pretende ainda ouvir o ex-secretário de Saúde do RJ Sérgio Côrtes, que está detido em Benfica e ajudou a prestar atendimento médico a Garotinho logo após o episódio.

De acordo com a versão apresentada pelo ex-governador, um homem de aproximadamente 1,70m de altura teria invadido sua cela no presídio de Benfica na madrugada de quinta para sexta-feira (24). Garotinho disse que o sujeito portava algo parecido com um taco de beisebol, usado para desferir um golpe em seu joelho, e chegou a apontar uma arma para ele. O agressor ainda teria dito: "Você gosta muito de falar, não é? Só não vou te matar para não sujar o pessoal aqui do lado".

Ao pronunciar essa segunda frase, segundo o ex-governador, o homem fez um gesto indicando as outras galerias da cadeia de Benfica, onde estão detidos desafetos políticos de Garotinho como Sérgio Cabral (PMDB), o próprio Sérgio Côrtes, e o presidente da Assembleia Legislativa do RJ (Alerj), deputado Jorge Picciani (PMDB).

Consequências da suposta agressão

O episódio levou o Ministério Público do Rio de Janeiro a fazer uma varredura no presídio, onde foram encontrados na cela dos presos da Lava Jato iguarias como camarões, queijo de cabra, presunto cru e bolinho de bacalhau .

Ainda em razão da suposta agressão, a Secretaria de Administração Penitenciária do estado (Seap) decidiu transferir Garotinho para o presídio de segurança máxima Bangu 8 , no Complexo Penitenciário de Gericinó.

Embora a transferência para longe da cadeia que abriga Cabral e Picciani fosse um pleito da defesa de Garotinho, a escolha do presídio de Bangu 8 é tida como uma punição ao político. Por meio de nota, a família de Anthony Garotinho criticou as "insinuações" da Seap de que o ex-governador teria se autolesionado e disse ainda que isso foi usado como um "pretexto para lhe impor punições".

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