Pastor afirma que Cabral o induziu a assinar doação de home theater para cadeia

Após Ministério Público iniciar investigação sobre caso, pastor que seria responsável por doação de aparelho para cadeia onde Cabral está afirma, em post nas redes sociais, que foi 'usado e manipulado por um homem ardiloso'
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil - 20.1.2011
Defesa do ex-governador Sérgio Cabral nega as acusações e afirma que não passam de 'boatos'

Depois de ter sido aberto um inquérito pelo Ministério Público para investigar a instalação de um aparelho de home theater na Cadeia Pública José Frederico Marques , o pastor Carlos Alberto de Assis Serejo, da Igreja Batista do Méier, confessou que foi “induzido” pelo ex-governador do Rio de Janeiro Sério Cabral a assinar a doação do equipamento.

O pastor e seu advogado Heckel Garcez Rodrigues Ribeiro afirmaram, em uma nota divulgada nas redes sociais, que ele a missionária Clotilde de Moraes foram convencidos por Cabral a assinarem um termo de doação do aparelho para a penitenciária.

Carlos declara que ele foi procurado pelo ex-governador durante um culto no presídio na tarde do dia 27 de outubro. Durante a conversa, Cabral explicou que precisava da assinatura de um representante de instituição religiosa ou filantrópica para “legitimar” a doação dos equipamentos que já se encontravam na cadeia e esperavam apenas a liberação para serem utilizados.

"É fato que o Sr. Carlos Serejo e os outros agentes religiosos foram induzidos (enganados) a cometer o equívoco de assinar a doação, sendo usados e manipulados por um homem ardiloso cuja vida traduz a sua astúcia e o poder de manobra para conseguir o que almeja", manifestou-se a defesa do pastor.

De acordo com Carlos, ele apenas concordou com o pedido “visando o bem dos que ali estavam” e “no claro intento de ajudar o próximo”. "O intuito dos pastores e missionárias, no entanto, era colaborar com a ressocialização dos presos. O foco jamais foi beneficiar exclusivamente o preso Sérgio Cabral", afirmou em nota.

Segundo a defesa do ex-governador, a denúncia é falsa e trata-se de um “boato”.

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De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) os benefícios das TVs em celas e recreação esportiva dos detentos foram suspensos por 30 dias e além de estar proibido “qualquer tipo de doação feita por entidades religiosas a unidades prisionais”.

Entenda o caso

O presídio havia recebido equipamentos que simulavam um “ cinema caseiro ”, com direito a tocador blue ray, TV de Led 65 polegadas, caixas de som e 160 CD. Porém, a igreja referida como uma das doadoras do aparelho, Igreja Batista do Méier, negou ter presenteado o presídio.

A instituição disse ainda que investigaria se algum membro da congregação se envolveu no episódio. “A Igreja tem por hábito rejeitar quaisquer ofertas, doações e legados, quando estes tenham origem, natureza ou finalidade que colidam com os princípios éticos e cristãos exarados na Bíblia Sagrada”, destacou em nota.

Os equipamentos da videoteca foram todos encaminhados para a organização Casa do Menor São Miguel Arcanjo , que funciona em Tinguá, no município de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, informou a Seap.

O caso está sendo apurado pelo Ministério Público que investiga eventual prática de crimes contra a administração pública e falsidade ideológica ou material. A Promotoria de Justiça responsável pela Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da capital também analisa a situação.

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