Transferência do ex-deputado foi antecipada para aproveitar disponibilidade de avião da PF usado para transferir Joesley Batista; Eduardo Cunha retorna a Brasília quase um ano depois – desta vez para a Papuda, não para a Câmara

Eduardo Cunha foi preso em outubro do ano passado em Brasília; ele passou os últimos meses em prisão em Pinhais (PR)
Agência Brasil - 19.10.2016
Eduardo Cunha foi preso em outubro do ano passado em Brasília; ele passou os últimos meses em prisão em Pinhais (PR)

Após 11 meses detido na região metropolitana de Curitiba, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha  (PMDB) desembarca na tarde desta sexta-feira (15) em Brasília, local onde se tornou um dos nomes mais poderosos da política nacional e onde foi preso por determinação do juiz federal Sérgio Moro, em outubro do ano passado.

A mudança temporária de Eduardo Cunha do Complexo Médico Penal em Pinhais para o presídio da Papuda se dará em razão de depoimentos marcados para a semana que vem no âmbito de ação penal da Operação Sépsis que tramita na Justiça Federal em Brasília. Ele será encaminhado ao IML antes de seguir para a cela.

A transferência foi pedida pela defesa do peemedebista e passou pela chancela do próprio juiz Moro, do juiz Vallisney de Souza Oliveira (da 10ª Vara Federal do DF), do Ministério Público Federal (MPF) e do desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

O juiz Vallisney designou inicialmente que a transferência de Cunha ocorresse na próxima segunda-feira (18), mas o departamento de Polícia Federal do DF decidiu aproveitar a transferência do empresário Joesley Batista para São Paulo, realizada nesta manhã , para mandar o mesmo avião a Curitiba buscar o ex-deputado, que embarcou por volta das 15h20.

Cunha fará exames no IML e depois deve passar o fim de semana na carceragem da Polícia Federal em Brasília, antes de ser encaminhado à Penitenciária da Papuda.

Acusado por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional, Cunha participará de audiências na próxima quarta-feira (20) e na próxima sexta-feira (22) sobre os empréstimos fraudulentos feitos por fundos de investimento controlados pela Caixa Econômica Federal.

Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, o ex-deputado teria cobrado propina de empresas, entre 2011 e 2015, para liberar investimentos feitos com recursos do FI-FGTS.

Em um dos depoimentos marcados para a semana que vem, Cunha ficará frente a frente com o lobista Lúcio Funaro, apontado como seu operador de propinas em esquemas criminosos e que fechou acordo de delação premiada com a PGR no fim do mês passado.

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Uma Brasília diferente para Cunha

Já condenado em ação penal da Operação Lava Jato a 15 anos e 4 meses de prisão , Cunha volta à capital federal sem o menor resquício do poder que já exerceu por lá. Principal algoz da ex-presidente Dilma Rousseff no processo do impeachment, Cunha hoje responde a ações penais nas três instâncias da Justiça.

Além da ação na 10ª Vara Federal do DF e de seu recurso no TRF-4, Cunha figura ainda na denúncia oferecida nessa quinta-feira (14)  pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre o "quadrilhão do PMDB" na Câmara.

Nessa ação, entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo Cunha é apontado como "arrecadador de recursos lícitos e ilícitos" para a organização criminosa constituída por nomes como o do presidente Temer, dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, e dos ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves.

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