O ex-governador é suspeito de troca de votos por inclusão de famílias no programa Cheque Cidadão; ele foi preso na manhã desta quarta-feira (13)

Garotinho foi detido e está sendo encaminhado para Campos dos Goytacazes pela Polícia Federal
Renato Araújo/Fotos Públicas
Garotinho foi detido e está sendo encaminhado para Campos dos Goytacazes pela Polícia Federal

O ex-governador do estado do Rio de Janeiro , Anthony Garotinho, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (13). No momento da detenção, ele estava apresentando um programa na Rádio Tupi. 

Leia também: "Maior vítima dos irmãos Batista é o próprio País", diz delegado da PF

Anthony Garotinho  foi encaminhando para Campos de Goyatacazes, no norte do Rio de Janeiro, onde cumprirá prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica. Antes, ele fará exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal. Ele é suspeito de comandar um esquema criminoso de troca de votos pela inclusão de famílias no programa social "Cheque Cidadão".

A denúncia foi realizada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), e a ordem de prisão foi emitida pelo juiz Ralph Manhães, da 100º Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes, que o condenou por corrupção eleitoral, associação criminosa, coação de testemunhas e supressão de documentos. De acordo com a decisão, o ex-governador foi sentenciado a nove anos e 11 meses de prisão em regime fechado, mas a condenação precisa ser confirmada em segunda instância para que a reclusão passe a vigorar.

Em nota, a defesa do ex-governador informou que repudia os motivos apresentados para a prisão e entende que a decisão de mantê-lo preso em casa, em Campos, tem a intenção de privá-lo de seu trabalho diário na Rádio Tupi [onde apresenta um programa matinal], e em seus canais digitais e, com isso, evitar que ele ”continue denunciando políticos criminosos importantes, alguns deles que já foram até presos”.

A nota assinada pelo advogado Carlos Azeredo diz ainda que a defesa nega as acusações imputadas ao político, ainda defendendo que ele nunca foi acusado de roubo ou corrupção. “O processo fala de suspeitas infundadas de compra de votos, o que por si só não justifica prisão.”

A defesa afirma ainda que a prisão domiciliar, além de não ter base legal, causa danos à sua família já que o impede de exercer sua profissão de radialista e sustentar sua família. A defesa do ex-governador irá recorrer da decisão”.

Histórico 

O ex-governador foi preso em 16 de novembro do ano passado e chegou a ser levado para o Complexo Prisional de Gericinó, em Bangu.  No mesmo mês, no dia 24, conseguiu ser transferido para prisão domiciliar e posteriormente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revogou sua prisão, por meio de um habeas corpus e o pagamento de fiança de R$ 88 mil.  

Já em junho deste ano, o Ministério Público do Rio requereu a detenção do político, já que ele teria usado seu blog pessoal para coagir testemunhas da operação . Contudo, mesmo que tenha concordado em parte com a tese do MP, o juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da 129ª Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes , afirmou que o fato é "incontroverso", mas que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia autorizado o político a se manifestar sobre o processo na internet. 

"Não há fundamento para decreto da prisão, valendo notar que, por suas palavras e suas manifestações, o réu poderá ser acionado na Justiça por quem se sentir ofendido, possibilitando inclusive instauração de ação penal", escreveu o juiz. 

Leia também: Lula dispensa avião e chega de carro em Curitiba para depor a Moro

Operação Chequinho

A Operação Chequinho investiga um esquema de corrupção que envolve a compra de votos em Campos dos Goytacazes, reduto eleitoral de Anthony Garotinho. De acordo com as investigações, a prefeitura oferecia inscrições frudulentas do programa Cheque Cidadão, em troca dos votos. A polícia notou o esquema quando passou a ver um "crescimento desordenado" do programa. Segundo as informações do MP, em apenas dois meses, o número de inscritos passou de 12 mil para 30 mil.   

*Com informações da Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.