Defesa do presidente recorreu hoje ao ministro Fachin pedindo impedimento de Janot para atuar em casos envolvendo Temer; advogado acusa chefe do MPF de ter permitido relação entre procuradores e delatores da JBS

Rodrigo Janot deixa chefia do Ministério Público Federal no dia 17 de setembro; Raquel Dodge assumirá PGR
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 25.7.17
Rodrigo Janot deixa chefia do Ministério Público Federal no dia 17 de setembro; Raquel Dodge assumirá PGR

A defesa do presidente Michel Temer recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A manifestação foi apresentada nesta terça-feira (8) ao ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato, em resposta ao pedido de Janot para incluir Temer no ról de investigados  do inquérito que apura irregularidades cometidas pelo chamado 'quadrilhão do PMDB' na Câmara.

O advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, desferiu uma série de críticas contra Rodrigo Janot no documento de 23 páginas, alegando que "se tornou público e notório" que a atuação do chefe do Ministério Público Federal em casos envolvendo o presidente da República "extrapola em muito os seus limites constitucionais e legais inerentes ao cargo".

"A motivação, tudo indica, é pessoal. Estamos assistindo a uma obsessiva conduta persecutória. [Janot] parece se sentir incumbido de uma missão maior, que extravasaria suas funções protocolares, a autorizar o emprego de medidas não amparadas pelo ordenamento legal", escreve o defensor. 

O advogado sugere ainda que Janot tem "incontido desejo de imputar crimes" a Temer, mas suas buscas são "frustradas". "Sua perseverança está, para usar um jargão jornalístico,
'sangrando' não o Presidente, mas a tranquilidade e o desenvolvimento do País."

Segundo a defesa de Temer , o procurador-geral da República teria também interferido na atuação da Polícia Federal ao escolher um delegado específico para conduzir investigações que envolvam o peemedebista. O advogado critica ainda os benefícios oferecidos pela PGR ao empresário  Joesley Batista e executivos do grupo JBS, o que teria resultado num caso de "impunidade incompreensível".

Sobre a delação de pessoas ligadas à empresa, Janot também é acusado de ter conhecimento e ainda assim não impedir "inadequado relacionamento" entre procuradores da República e delatores da JBS. Para a defesa de Temer, essa atitude teria como objetivo "treinar e orientar" servidores da PGR para "executarem um projeto com o escopo de enredar artificialmente o presidente".

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'Quadrilhão do PMDB'

Janot pediu ao Supremo, no dia 31 de julho, que o presidente Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria da Presidência) fossem incluídos no inquérito 4327 da Lava Jato. 

O processo é voltado à investigação de acusações que envolvem a bancada do PMDB na Câmara e é um dos quatro inquéritos principais da Operação Lava Jato (os demais são contra o PMDB no Senado, contra o PT e contra o PP).

São alvos desse processo os ex-deputados do PMDB  Eduardo Cunha , Henrique Eduardo Alves, Aníbal Gomes, Alexandre Santos, Altineu Côrtes, João Magalhães, Nelson Bornier e Solange Almeida. Também são investigados, a pedido de Rodrigo Janot, o banqueiro André Esteves, os lobistas Lúcio Funaro e Fernando Baiano, os deputados André Moura (PSC-SE) e Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), e o ex-deputado Carlos Willian (PTC-MG).

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