Após o juiz Marcelo Bretas dar entrevista sobre o caso H.Stern, advogados do ex-governador apontam prejulgamento e pedem suspeição do magistrado

Adriana Cabral e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral gastaram cerca de R$ 11 milhões em joias, segundo MPF
Fernando Frazão/Agência Brasil - 10.5.17
Adriana Cabral e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral gastaram cerca de R$ 11 milhões em joias, segundo MPF

A defesa do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) pediu o afastamento do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, do processo que apura irregularidades na compra de joias para a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo junto à joalheria H.Stern

O advogado Rodrigo Roca, um dos responsáveis pela defesa de Sérgio Cabral na ação penal, disse nesta segunda-feira (24) em entrevista à Agência Brasil que o arguimento de suspeição contra o magistrado responsável pelos processos da Operação Calicute foi apresentado na última sexta-feira (21).

A defesa do ex-governador alega que houve "prejulgamento" por parte de Bretas quando o juiz disse, em entrevista publicada pelo jornal Valor Econômico no dia 14 deste mês, que tem "somente uma dúvida na questão das joias: se era propina ou se era lavagem de ativos”.

“Ele [Bretas] praticamente anunciou a sentença que vai dar. Ele sabe que vai condenar, só não sabe por que crime. Isso torna um juiz suspeito para julgar a causa, uma vez que o processo está no início, e nós apresentamos uma peça de defesa até agora. A primeira foi sexta-feira”, disse Roca.

O próprio juiz da 7ª Vara Federal do Rio será responsável por analisar o pedido de suspeição apresentado pela defesa de Cabral. Caso Marcelo Bretas se declare suspeito, será escolhido um juiz substituto para assumir o processo.

Já na hipótese do magistrado rechaçar o pedido, a decisão caberá ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região(TRF2). “Nós vamos aguardar a decisão dele sobre essa questão, como ele se comporta com isso”, disse o advogado de Cabral.

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R$ 11 milhões em joias

Diretores da joalheria H.Stern  revelaram em acordo de colaboração premiada firmado com o Ministério Público Federal que a empresa negociou peças com Cabral e sua esposa sem que fossem emitidas notas fiscais ou certificados nominais das joias. As 

As operações de compra se deram em cinco ocasiões no período de 2009 a 2014 e contaram com o apoio de Carlos Miranda e Carlos Bezerra, que também são réus na ação penal. Os dois são acusados por supostamente terem adquirido as joias para Cabral e Adriana Ancelmo para ocultar a origem e propriedade de "valores provenientes de crime".

Entre as peças já localizadas estão um brinco de ouro branco de 18 quilates, um brinco de ouro amarelo 18 quilates com brilhante solitário, um brinco de ouro amarelo 18 quilates com rubi e um conjunto formado por uma pulseira, um brinco e um anel de ouro amarelo 18 quilates com diamante.

Somente esses itens somaram mais de R$ 4,52 milhões em compras na H.Stern, segundo revelaram os próprios diretores da empresa. De acordo com a força-tarefa de procuradores das Operações Calicute e Eficiência, o valor total das compras do casal com joias, pedras preciosas e relógios chegou a R$ 11 milhões.

Até o momento, a Polícia Federal já conseguiu apreender 55 das 189 joias  comprovadamente adquiridas por Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo.

Veja as joias de Adriana Ancelmo apreendidas pela PF na semana passada:

*Com reportagem da Agência Brasil

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