Após condenação no caso tríplex, ex-presidente agora será interrogado em setembro na ação que investiga compra de terreno para o Instituto Lula e de apartamento em São Bernardo; interrogatório será via videoconferência

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Para evitar "indesejáveis gastos com medidas de segurança", Moro quer que Lula deponha via videoconferência

O juiz federal Sérgio Moro agendou para o dia 13 de setembro novo depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já condenado a 9 anos e 6 meses  em ação penal sobre o tríplex no Guarujá, o petista desta vez será interrogado sobre suposto esquema de pagamento de propina da Odebrecht  por meio da compra de um terreno para a construção da sede do Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Esta será a segunda vez que Lula depõe ao juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba. Uma vez que a primeira audiência com o ex-presidente, em maio deste ano, exigiu esquema de segurança especial e mobilizou manifestantes a favor e contra o ex-presidente, Moro decidiu que a nova oitiva com Lula deverá ocorrer via videoconferência – a não ser que a defesa se oponha a isso.

"Considerando o havido no interrogatório de Luiz Inácio Lula da Silva na ação penal [sobre o tríplex], que acabou envolvendo gastos necessários, mas indesejáveis de recursos públicos com medidas de segurança, diga a defesa respectiva, em cinco dias, se tem objeções à realização de novo interrogatório do acusado em questão por videoconferência com a Justiça Federal de São Paulo", determinou o juiz da Lava Jato .

Além de Lula, também vão depor a Moro em setembro os outros sete réus dessa mesma ação penal. O empreiteiro Marcelo Odebrecht , o ex-diretor do setor de realizações imobiliárias da construtora, Paulo Ricardo Baqueiro de Melo, e o empresário Dermeval de Souza Gusmão Filho serão ouvidos no dia 4 de setembro.

Já o ex-ministro Antonio Palocci, o advogado Roberto Teixeira e o engenheiro Glaucos da Costamarques serão interrogados no dia 6 de setembro. O ex-assessor de Palocci na Casa Civil, Branislav Kontic, prestará depoimento no mesmo dia em que Lula será ouvido.

A ex-primeira-dama Marisa Letícia também chegou a figurar no quadro de réus nessa investigação, mas a denúncia contra ela foi extinta devido ao seu falecimento, em fevereiro deste ano.

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A investigação

Lula é acusado pela força-tarefa de procuradores que atuam na Lava Jato de ter cometido crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 

As investigações indicam que o petista teria aceitado receber da Odebrecht, entre 2010 e 2014, um terreno na zona sul de São Paulo no valor de R$ 12,4 milhões para instalação da sede do Instituto Lula . A empreiteira também teria negociado a compra de um apartamento em frente ao que o ex-presidente mora em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. O imóvel é avaliado em R$ 504 mil.

Segundo o Ministério Público Federal, os imóveis foram oferecidos pela construtora a Lula como uma espécie de agradecimento pela manutenção de Renato Duque e de Paulo Roberto Costa em diretorias de interesse da empreiteira na Petrobras.

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