Relação dos três candidatos mais votados será encaminhada ao presidente Temer, que dará a palavra final sobre novo procurador-geral da República; presidente não é obrigado a seguir recomendação dos integrantes do MPF

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot é responsável pelas acusações da Lava Jato levadas ao STF
Antonio Augusto/Secom/PGR - 21.11.16
Procurador-geral da República, Rodrigo Janot é responsável pelas acusações da Lava Jato levadas ao STF

Os favoritos a suceder Rodrigo Janot à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR)  serão indicados nesta terça-feira (27) pelos integrantes da Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR) em eleição que teve início às 9h da manhã e deve se encerrar às 18h.

Oito subprocuradores-gerais da República concorrem à vaga de Rodrigo Janot , que deixará a chefia do Ministério Público Federal em setembro. A lista tríplice com os três candidatos mais votados será eleita por cerca de 1.200 procuradores, ativos e aposentados, que integram a ANPR e depois será encaminhada ao presidente Michel Temer, que escolherá o novo procurador-geral da República.

Em pé de guerra com Janot, Temer tem na troca de chefia na PGR a chance de eliminar uma de suas maiores pedras no sapato. O peemedebista se tornou nessa segunda-feira o primeiro presidente no Brasil a ser denunciado por corrupção durante o exercício do mandato. O responsável pela denúncia levada ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi justamente Janot.

Além de Temer, outras centenas de denúncias contra políticos foram oferecidas por Janot no âmbito das investigações da Operação Lava Jato durante seu segundo mandato. Ele foi escolhido para o cargo durante o governo de Dilma Rousseff.

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Temer pode ignorar escolha do MPF

Desde o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente indica para o cargo o nome mais votado da lista. No entanto, de acordo com a Constituição, o presidente Michel Temer pode escolher qualquer um dos mais de 1.400 procuradores da República em atividade para o comando da PGR.

A lista tríplice foi criada em 2001 e é defendida pelos procuradores como um dos principais instrumentos de autonomia da carreira.

Por ser alvo de investigações, é possível que Temer indique um procurador que não esteja na lista tríplice, o que tem preocupado integrantes do Ministério Público. Eles avaliam que isso pode ferir a independência do órgão.

Os oito candidatos ao cargo de PGR são os subprocuradores Carlos Frederico Santos, Eitel Santiago de Brito Pereira, Ela Wiecko Volkmer de Castilho, Franklin Rodrigues da Costa, Mario Luiz Bonsaglia, Nicolao Dino de Castro e Costa Neto, Raquel Elias Ferreira Dodge e Sandra Verônica Cureau.

Após o presidente da República indicar um nome para assumir a PGR, substituindo Rodrigo Janot, o indicado será submetido a sabatina no Senado e precisará ter a indicação aprovada pelos parlamentares da Casa.

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*Com informações da Agência Brasil.

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