Se a gravação divulgada entre Michel Temer e Joesley Batista é a tal "prova infalível" de que o presidente protege Eduardo Cunha, nada está provado

Durante o dia de hoje, muito se falou sobre a gravação que comprovaria que o presidente Michel Temer sabia que o ex-deputado Eduardo Cunha recebia uma mesada para comprar seu silencio e que também incentivou essa prática. A prova disso era a frase dita pelo presidente: "Tem que manter isso, viu?".

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Presidente Michel Temer durante pronunciamento feito no Planalto nesta quinta-feira
Isac Nóbrega/PR - 18.5.17
Presidente Michel Temer durante pronunciamento feito no Planalto nesta quinta-feira

Mas com o passar das horas muitas dúvidas sobre a legalidade das gravações começam a pipocar. O maiores portais de notícias do País indagam se realmente ouve um pedido de mesada para calar a boca de Cunha e se os áudios com a conversa entre Temer e Joesley realmente têm validade legal.

Veja os principais fatos (compartilhados na coluna de Augusto Nunes, na Veja) que levantam essa suspeita: 

- Foram Jo e W-ésley que procuraram Temer e não o contrário, “para pedir que intercedesse junto à Petrobras que estava cobrando um preço abusivo para revender o gás importado da Bolívia usado num de seus açougues de frango”.

- Temer teria indicado o deputado Rocha Loures para fazer a embaixada mas ele não foi falar com a Petrobras mas sim “com o Cade”.

- Como “propina” por ter conseguido o “favor” ele teria cobrado R$ 500 mil por semana durante 20 anos!! O que o Cade tem a ver com Petrobras e o gás da Bolívia não está explicado na matéria, nem se o favor obtido foi mesmo baixar a conta de gás que, para valer tudo isso, teria mesmo de ser gigantesca.

- Os ésleys concordaram em pagar tudo isso e, instruídos pelas autoridades que com eles se mancomunaram, filmaram a primeira entrega de R$ 500 mil a Loures.

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- No meio do pedido a Temer, Joesley, que se diz “escandalizado com a corrupção do Brasil“, com um gravador escondido sob o terno em pleno palácio do Jaburu, “comentou” que estava pagando “uma antiga divida de uma propina de R$ 20 milhões” a Eduardo Cunha pela compra de uma lei dando isenções de impostos ao setor de frango. R$ 5 milhões teriam sido pagos quando ele já estava na cadeia.

- A operação de suborno entre os 2ésleys e Eduardo Cunha, a matéria esclarece, embora a TV Globo diga o contrário do que está escrito, não tem nada a ver com Temer que, portanto, não tinha nada a “comprar” de Cunha (como silêncio, por exemplo). Se isso está esclarecido na matéria é porque foi exaustivamente esmiuçado pela fonte do Globo e pelas autoridades da PGR, do MPF e da PF que arquitetaram os flagrantes, assim como pelo ministro Fachin que, segundo a matéria, já teria, ainda que não oficialmente, homologado a denuncia. Mas Temer teria pronunciado nesse momento a frase que subiu para a manchete: “Tem que manter isso, viu”.

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