Primeiro integrante do partido a sair do cargo será o ministro das Cidades, Bruno Araújo; PSB também deverá deixar Ministério de Minas e Energia

Ministro das Cidades, Bruno Araújo, foi o primeiro integrante do PSDB a anunciar saída do governo Michel Temer
Agência Brasil
Ministro das Cidades, Bruno Araújo, foi o primeiro integrante do PSDB a anunciar saída do governo Michel Temer

Após a bomba que atingiu o Palácio do Planalto na noite da última quinta-feira (17), o PSDB já iniciou o processo de desembarque do governo Michel Temer (PMDB). O ministro das cidades, Bruno Araújo, foi o primeiro integrante do alto escalão a decidir que pedirá exoneração do cargo após o vazamento das delações dos proprietários da JBS. A comunicação oficial deverá ser feita nas próximas horas.

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De acordo com informações publicadas pela “ GloboNews ”,  Bruno Araújo – que é deputado federal pelo PSDB de Pernambuco – já teria conversado com outros parlamentares do partido, que concordaram que não havia mais condições de permanência no governo Temer.

O partido ainda conta com mais três ministros filiados ao partido: o deputado Antônio Imbassahy (BA), na Secretaria de Governo; o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), no Ministério das Relações Exteriores; e Luislinda Valois, da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Ainda não há informações se eles também já estão decididos a deixar os cargos.

PSB

Na tarde desta quinta-feira (18), o PSB enviou nota à imprensa na qual defende que o ministro de Minas e Energia, deputado federal Fernando Coelho Filho (PE), que é filiado ao partido, entregue o cargo.

“Esta demanda é apresentada, mesmo que a indicação para tal cargo jamais tenha sido feita, reivindicada ou chancelada pela direção nacional, o que se justifica pelo fato de que o partido não pode admitir que um de seus membros faça parte de um governo antipopular que perdeu, por inteiro, sua legitimidade para governar o Brasil”, diz nota enviada pelo presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira.

PPS

Pouco depois de Bruno Araújo, foi a vez de Roberto Freire (PPS-SP) anunciar a saída do governo Temer. Freire ocupava o cargo desde novembro do ano passado. O antigo ocupante da Pasta, Marcelo Calero, pediu demissão depois de polêmica envolvendo o também ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que teria o pressionado a atuar junto ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para que liberasse as obras de um prédio embargado em Salvador (BA), onde Geddel adquiriu uma unidade.

Entenda o caso

Os proprietários da JBS, Joesley e Wesley Batista, afirmaram em delação premiada que possuem uma gravação na qual o presidente Michel Temer aprova o pagamento de uma "mesada" para calar o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB)  e o operador de propinas Lúcio Funaro, ambos presos. Ao saber desta informação, o presidente teria solicitado que a prática não parasse: "Tem que manter isso".

No depoimento aos procuradores, Joesley revelou que a ordem da mesada na cadeia não partiu de Temer, mas que o presidente tinha total conhecimento de toda a operação.

Outra informação que atinge diretamente o presidente é a de que Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), homem de confiança de Temer e ex-assessor especial da Presidência, teria recebido R$ 500 mil de propina para cuidar de uma pendência da J&F, holding que controla a JBS. A pendência, no caso, seria a disputa entre a Petrobras e a J&F sobre o preço do gás fornecido pela estatal para a termelétrica EPE.

Ao ser indagado por Joesley sobre quem poderia ajudar a resolver esta situação a seu favor, Temer teria apenas respondido para falar "com o Rodrigo". A pendência foi resolvida mediante um pagamento de R$ 500 mil semanais por 20 anos, tempo que duraria o acordo com a EPE. Apenas a primeira parcela de R$ 500 mil teria sido paga.

Aécio Neves

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves  (MG), do mandado de senador. Aécio é acusado pelo empresário Joesley Batista de lhe pedir dinheiro em meio às investigações da Operação Lava Jato . O valor de R$ 2 milhões foi rastreado e chegou ao senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

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