Com gritos de "Fora, Temer", o grupo carrega faixas em pedindo o impeachment do peemedebista; movimentos sociais e sindicais lideram o protesto

Protesto contra Temer reúne cerca de 1000 pessoas em São Paulo
Nicolas Iory/iG São Paulo
Protesto contra Temer reúne cerca de 1000 pessoas em São Paulo

Cerca de 1000 pessoas realizam protesto na noite desta quarta-feira (17) em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, horas após a divulgação de áudios em que o presidente Michel Temer concorda com plano do empresário Joesley Baptista para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Por volta das 22h, os manifestantes bloquearam completamente o sentido Consolação da principal avenida da capital paulista.

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Com gritos de "Fora, Temer", o grupo carrega faixas em pedindo o impeachment do peemedebista. A Polícia Militar acompanha o protesto, que ocorre de forma pacífica até o momento. A manifestação é liderada pela Frente Povo Sem Medo. O MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) também aderiu ao movimento e convoca sua militância através das redes sociais. O protesto deve sair de São Paulo em direção à Brasília. Segundo manifestantes, cerca de 200 deixarão a capital paulista rumo ao Palácio do Planalto.

Confira a nota de Temer na íntegra:

"O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar a delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar. O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República.

O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados."

Entenda o caso envolvendo o presidente Michel Temer

De acordo com informações obtidas por Lauro Jardim, colunista do jornal "O Globo", os proprietários da JBS, Joesley e Wesley Batista, afirmaram em delação premiada que possuem uma gravação na qual Temer aprova o pagamento de uma "mesada" para calar o ex-deputado Eduardo Cunha e o operador de propinas Lúcio Funaro, ambos presos. Ao saber desta informação, o presidente teria solicitado que a prática não parasse: "Tem que manter isso". 

No depoimento aos procuradores, Joesley revelou que a ordem da mesada na cadeia não partiu de Temer, mas que o presidente tinha total conhecimento de toda a operação.

Outra informação veiculada pelo jornal que atinge o presidente diretamente é a de que Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), homem de confiança de Temer e ex-assessor especial da Presidência, teria recebido R$ 500 mil de propina para cuidar de uma pendência da J&F, holding que controla a JBS. A pendência, no caso, seria a disputa entre a Petrobras e a J&F sobre o preço do gás fornecido pela estatal para a termelétrica EPE.

Ao ser indagado por Joesley sobre quem poderia ajudar a resolver esta situação a seu favor, Temer teria apenas respondido para falar "com o Rodrigo". A pendência foi resolvida mediante um pagamento de R$ 500 mil semanais por 20 anos, tempo que duraria o acordo com a EPE. Apenas a primeira parcela de R$ 500 mil foi paga, segundo a reportagem de Lauro Jardim.

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