Enquanto presidente da Câmara, Eduardo Cunha contratou Kroll por R$ 1,1 mi para
Agência Câmara
Enquanto presidente da Câmara, Eduardo Cunha contratou Kroll por R$ 1,1 mi para "buscar dinheiro desviado no exterior"

Ex-executivos da Odebrecht denunciaram em seus depoimentos à força-tarefa de procuradores da Lava Jato que o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) sugeriu, em 2015, a contratação de uma empresa privada de investigação como "medida de contenção" da Lava Jato. Por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, os depoimentos serão enviados à Justiça Federal no Paraná e à Procuradoria da República naquele estado, que poderá apresentar nova denúncia contra o ex-presidente da Câmara.

Marcelo Bahia Odebrecht, ex-presidente e um dos herdeiros da empreiteira, e o ex-diretor da construtora Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, contaram ao Ministério Público Federal que Eduardo Cunha promoveu uma reunião em sua casa em fevereiro de 2015.

Na ocasião, o então presidente da Câmara dos Deputados teria defendido a contratação da Kroll, empresa britânica de investigação, para auxiliar nos trabalhos da CPI da Petrobras. O peemedebista, de acordo com os delatores da Odebrecht, defendia a tese de que "deveriam ser encontradas inconsistências" nas colaborações premiadas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Cunha acreditava que essas "inconsistências" permitiriam a anulação das investigações da Lava Jato.

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Kroll

As intenções de Cunha ao contratar a Kroll já haviam sido anteriormente denunciadas pelo lobista Júlio Camargo, apontado como responsável por repassar propina ao ex-deputado no esquema envolvendo a compra de navios-sonda pela Petrobras.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, relatou ao STF ainda em 2015 que o peemedebista se valeu da empresa de investigação para  "tentar tirar a credibilidade de colaboradores da Operação Lava Jato".

A britânica Kroll foi contratada por R$ 1,1 milhão pela Presidência da Câmara dos Deputados sob a justificativa de que iria ajudar a "buscar dinheiro desviado da Petrobras no exterior". Em julho daquele ano, Eduardo Cunha determinou que os detalhes do contrato e os resultados das investigações da empresa fossem mantidos sob sigilo pelo período de cinco anos.

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Veja quais deputados integram a lista de Fachin:


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