Dilma defende reforma da previdência: "Não é possível aposentadoria de 55 anos"

Por iG Brasília | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Para presidente, que pretende criar Casa de Governo e reunir serviços de ministérios nos Estados, Brasil "vai ter de encarar" o assunto com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros

A presidente Dilma Rousseff disse que pretende buscar o reequilíbrio fiscal nos próximos meses por meio de ações que vão exigir diálogo com o Congresso Nacional. Segundo ela, a aprovação de medidas tributárias como o retorno da CPMF serão o esforço do governo nos próximos três meses, mas confirmou que não haverá um "coelho da cartola" para salvar a economia.

"Enfrentar o reequilíbrio fiscal impacta na melhoria nas condições da inflação", disse Dilma durante café da manhã com jornalistas nesta quinta-feira (7). Para ela, o objetivo do governo é que a inflação retorne "o mais rápido possível" para o centro da meta, de 4,5%.

Dilma Rousseff durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto nesta quinta-feira
Ichiro Guerra/ PR
Dilma Rousseff durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto nesta quinta-feira

Em uma sinalização ao PT e aos movimentos de base que apoiam o seu mandato, ela disse que é preciso voltar a discutir reformas como a previdência. "Nós vamos encarar a reforma da previdência, sempre considerando que ela tem a ver com uma modificação na idade e no comportamento etário da população brasileira. Nós estamos envelhecendo mais e morrendo menos. Não é possível que a idade média de aposentadoria no Brasil seja 55 anos. Para as mulheres um pouco menos", declarou.

De acordo com a presidente, no futuro vai haver menos pessoas trabalhando para sustentar mais gente, seja os mais velhos, que têm uma expectativa de vida maior, seja os mais novos, que ainda estão nascendo. Ela ponderou, porém, que não se pode afetar direitos adquiridos no passado e a expectativa dos que já estão no mercado de trabalho, e que pretende discutir com a sociedade o assunto.

De acordo com Dilma, o governo continua trabalhando para a redução de cargos prometida em 2015 com a reforma administrativa. Dos três mil cargos comissionados que devem ser cortados, a conta já foi fechada em quatro ministérios, segundo ela. "Alguns ministérios ainda vão ser objeto de uma avaliação geral, e nós estamos pensando em construir uma coisa chamada Casa de Governo. Em vez de terem dez entidades na ponta, um ministério em cada um dos Estados da federação, ter uma casa, um prédio ou uma sala. Eu elimino uma porção de móvel", anunciou.

A presidente comentou, durante a conversa, a relação entre ela e o vice-presidente Michel Temer, que tensionou em dezembro após a aceitação do pedido de impeachment pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). De acordo com a presidente, Temer não conspira para que ela seja afastada do cargo, e a relação entre eles "está ótima".

Sobre os desdobramentos da Operação Lava Jato, a presidente negou que possa dar mais incentivos ao processo de impeachment contra ela. "Eu tenho clareza que devo ter sido revirada dos avessos. Sobre a minha conduta não paira nenhuma questão pouco clara. Entendo a importância das diferentes operações que ocorreram no País e que vão permitir que, ao médio e longo prazo, vamos ter uma relação dos agentes públicos e privados mais correta com os recursos do governo e que a impunidade hoje no Brasil começou a ser de fato ameaçada", afirmou.

Leia tudo sobre: aposentadoriaprevidênciaeconomiapolíticadilma rousseff

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas