Sibá Machado evita comentar vínculo entre colega Delcídio Amaral e funcionamento do esquema na Petrobras na gestão tucana, mas se queixa da parcialidade da investigação

O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC) afirmou que as declarações prestadas pelo delator da Operação Lava Jato , Paulo Roberto Costa remetendo o escândalo da Petrobras ao governo Fernando Henrique Cardoso, colocam a investigação sobre os desvios na Petrobras sob suspeita de parcialidade. “Está cada vez mais claro que o objetivo é vincular as denúncias de corrupção ao PT e blindar a gestão do PSDB”, disse o deputado.

Sibá Machado, líder petista, atacou a estratégia de blindagem do PSDB
Reprodução/Facebook
Sibá Machado, líder petista, atacou a estratégia de blindagem do PSDB

Costa sustentou que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) recebeu propina da empresa francesa Alstom ao autorizar a compra de turbinas para a Petrobras, entre 20001 e 2002 – em pleno governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso  – quando era diretor de Gás e Energia da estatal. Delcídio se filiou ao PT logo depois de deixar o cargo para disputar uma vaga ao Senado.

Sibá disse que não entraria no mérito da acusação contra o senador Delcídio, seu correligionário, mas lembrou que procedimento semelhante deixou de ser apurado em relação ao senador Aécio Neves, ex-candidato do PSDB a Presidência da República, cujas investigações também foram arquivadas. O líder afirmou que o ex-gerente de serviços da Petrobras, Pedro Barusco, também falou sobre o envolvimento do governo tucano com os desvios na estatal, mas os investigadores não demonstraram interesse em aprofundar o assunto. 

“Observei o interrogatório e posso afirmar que os delesgados não fizeram nenhuma pergunta que pudesse levar ao governo anterior. Isso deixa a investigação mal explicada. O PT recebeu doações da mesma forma que os outros partidos”, sustenta o líder. Segundo ele, a conduta supostamente parcial da investigação, levou um grupo de parlamentares do partido a pedir providências ao ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, superior hierárquico da Polícia Federal. A Lava Jato é uma operação tocada em conjunto por uma força tarefa formada por procuradores da República e delegados federais. O deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) disse que vai pedir que Paulo Roberto Costa seja convocado para prestar depoimento a CPI da Petrobras logo depois da presença do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, marcado para esta quinta. “O Delcídio nunca foi do PSDB, mas o depoimento (de Costa) não pode demorar porque é ele quem pode esclarecer”, afirmou.

O tucano lembrou que Pedro Barusco disse à CPI que havia recebido propina diretamente de empreiteiras, sem passar pelo crivo de partidos políticos antes do governo do PT. Otávio Leite acha que é necessário confiar no trabalho que vem sendo feito pela força tarefa do Paraná e apoiar todas as providências que visem esclarecer e identificar quem recebeu propina, independentemente de partido ou personagem supostamente envolvida.

Saiba quem são os políticos envolvidos na Operação Lava-Jato, segundo a Procuradoria Geral da República:


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