Graça Foster diz que Petrobras foi surpreendida pela Lava Jato

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Ex-presidente da Estatal diz que perdas da Petrobras no valor de R$ 88 bi não foram causadas por corrupção em contratos

Agência Brasil

Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras a ex-presidenta da empresa, Graça Foster, disse que apesar dos mecanismos de controle de órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU) terem melhorado a gestão da companhia, a corrupção na empresa só foi descoberta pela polícia.

A ex-presidenta da Petrobras Graça Foster depõe na CPI da Câmara que investiga a estatal
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
A ex-presidenta da Petrobras Graça Foster depõe na CPI da Câmara que investiga a estatal


"Eu defendo os órgãos de controle da Petrobras, mas o grande descobridor [da corrupção na empresa] foi a Polícia Federal. Mas não posso negar que tanto o TCU [Tribunal de Contas da União] quanto a CGU [Controladoria-Geral da União] colaboram com a nossa gestão”, destacou Foster. Acrescentou que não foi a transparência da estatal ou um auditor independente os responsáveis pela descoberta dos problemas. Ela frisou que a corrupção na Petrobras foi apurada “pelas investigações da polícia".

De acordo com Graça Foster, a Operação Lava Jato trará "muitos aprendizados" para a empresa, mas que, mesmo assim, a Petrobras tem superado as barreiras e que a estatal ficou surpresa com a deflagração da Lava Jato.

"Essa operação atrasa nosso balanço e isso dificulta o acesso ao mercado financeiro. Mas, em 2014, com toda dificuldade batemos todos os recordes da Petrobras", ressaltou a ex-presidente. Ela disse que o atual presidente da empresa, Aldenir Bendine, está trabalhando para que a empresa apresente o balanço e "vire a página".

Empregos

Foster, que se aposentou da Petrobras, falou sobre as denúncias envolvendo a formação de cartel nas licitações para a realização de obras da empresa, investigadas na Lava Jato. Segundo ela, "mesmo à distância", ela percebe que a preocupação maior é com a manutenção dos empregos. “A Operação Lava Jato levou a Petrobras a determinadas situações preventivas a respeito de diversas empresas apontadas como parte de um cartel. Só isso já impede, atualmente, a Petrobras continuar contratando-as”.

A ex-presidente da petrolífera acrescentou que “o governo já está agindo para harmonizar essa situação”. “Acredito numa situação em que o governo possa se harmonizar com essa situação, para a manutenção de empregos no Brasil. Sou defensora do emprego dentro da racionalidade. Temos condições de manter dentro da racionalidade, dentro da competitividade", afirmou.

Ao ser questionada a respeito da taxa de extração nas bacias do pré-sal, Foster disse que ficam em torno de 85%, chegando a 100% em algumas bacias. "É a oportunidade real, devemos estar de olho na economia para poder utilizar o melhor aproveitamento das reservas". Ela defendeu as descobertas do pré-sal como sendo "grande oportunidade" para o pais.

Balanço da empresa
Graças Foster considerou como “justo” o valor contábil de R$ 88 bilhões referentes a perdas da Petrobras, conforme balanço da empresa apresentado ao Conselho de Administração da Petrobras em janeiro último.

A ex-presidente da estatal negou, porém, que esse valor corresponda a perdas com corrupção verificadas pela Operação Lava Jato. “Esses R$ 88 bilhões representam o valor justo por conta de uma série de ineficiências, até mesmo por causa de chuva e outros, não o número da corrupção”, disse à CPI da Petrobras.

“Eu defendi na ocasião que o mercado deveria ser informado deste valor, mesmo que a metodologia usada para fazer o cálculo seja questionada”, disse Graça Foster. “A presidente Dilma Roussef pediu para a senhora não divulgar este balanço?”, perguntou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). “Não, a presidente nunca me pediu isso”, ela respondeu.

A ex-presidente afirmou ainda que a compra de Pasadena "não foi um bom negócio, olhando com olhar de hoje". Ela disse que, na época, a operação de compra se justificava, mas isso acabou sendo um mau negócio em razão da queda do preço do petróleo. “Eu esperava que em 2014 a refinaria desse um resultado melhor, o que não aconteceu por causa da queda do preço do petróleo”, disse.

Delação premiada

Na época não haviam sido divulgados os depoimentos dos processos de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, do doleiro Alberto Youssef e do ex-gerente de Tecnologia Pedro Barusco.

Eles detalharam à Polícia Federal e à Justiça Federal um esquema de pagamento de propina a diretores da Petrobras por empresas contratadas pela estatal, mediante a intermediação de operadores financeiros. Esse dinheiro também seria repassado a partidos políticos.

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