Em festa de aniversário, Marta confirma saída do PT após 34 anos de militância

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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A ex-prefeita anunciou que vai se filiar ao PSB, mesmo partido pelo qual a senadora Marina concorreu à presidência

A festa de aniversário de 70 anos da ex-ministra Marta Suplicy marca também o início de uma nova era. Após 34 anos no Partido dos Trabalhadores (PT), ela confirmou, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, que vai deixar o partido. 

Marta Suplicy na festa em que comemorou os 70 anos de idade; saída do PT começou a se costurar no fim do ano passado, quando ela deixou o Ministério da Cultura
Leo Franco / AgNews
Marta Suplicy na festa em que comemorou os 70 anos de idade; saída do PT começou a se costurar no fim do ano passado, quando ela deixou o Ministério da Cultura

Com planos de concorrer à Prefeitura de São Paulo, em 2016, a ex-senadora também confirmou que vai se filiar ao PSB (Partido Socialista Brasileiro) no momento em que a cúpula do partido considerar o melhor. Pelo mesmo partido, a também ex-senadora petista Marina Silva concorreu à Presidência da República no ano passado. 

Leia também: Marta Suplicy critica nomeação de Juca Ferreira como ministro da Cultura

Marta Suplicy entrega carta de demissão e deixa Ministério da Cultura

Figurinhas carimbadas nas festas da ex-ministra, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, e o presidente do PT, Rui Falcão, não estavam entre os convidados. 

A saída de Marta do PT começou a se costurar no final do ano passado, quando ela deixou o comando do Ministério da Cultura e passou a fazer críticas ao ex-partido. Desde então, o PSB tem tentado atraí-la. Marta, inclusive já almoçou com membros do partido para articular a sua filiação. 

O desejo de Marta de concorrer novamente à prefeitura de São Paulo – cargo que assumiu entre 2001 e 2005 – fica cada vez mais distante, apesar das recentes avaliações negativas do atual titular, Fernando Haddad. No PSB, ela teria uma chance para encabeçar uma chapa, espaço que já não tem mais no Partido dos Trabalhadores. 

Veja fotos do aniversário de Marta Suplicy:

Marta Suplicy comemora 70 anos em uma festa no bairro dos Jardins, em São Paulo. Foto: Leo Franco / AgNewsGabriel Chalita, secretário municipal da educação de São Paulo foi um dos convidados para a festa. Foto: Leo Franco / AgNewsNelson Jobim, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, da Defesa e da Justiça, e a mulher, Adriana. Foto: Leo Franco / AgNewsMichel Temer, vice-presidente da República, com a mulher, Marcela Temer. Foto: Leo Franco / AgNewsMárcio França, do PSB, e sua mulher. Foto: Leo Franco / AgNewsJosé Sarney foi um dos políticos que prestigiaram Marta Suplicy. Foto: Leo Franco / AgNewsFesta aconteceu no bairro dos Jardins, em São Paulo. Foto: Leo Franco / AgNewsTemer e Chalita durante a comemoração. Foto: Leo Franco / AgNewsTereza Collor cumprimenta Marta Suplicy. Foto: Leo Franco / AgNewsDecoração refinada no aniversário de 70 anos de Marta Suplicy. Foto: Leo Franco / AgNews


História

Ex-mulher do atual secretário Municipal dos Direitos Humanos de São Paulo, Eduardo Suplicy, Marta ingressou no PT em 1981. Defendendo o partido, ela foi deputada federal entre 1995 e 1998. Em 2001, assumiu a prefeitura da capital. Apesar de implantar o Bilhete Único, seu mandato foi marcado por greves de ônibus e taxas, chegando a ser apelidada de "Martaxa". Ela terminou o mandanto com 48% de aprovação, mas apesar disso não conseguiu se reeleger e perdeu a campanha para o tucano José Serra, apoiado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). 

Durante o mandato do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, Marta foi escolhida para ser ministra do Turismo, cargo que ocupou entre março de 2007 e junho de 2008. No comando da pasta protagonizou um dos mais inesquecíveis episódios da história do Brasil. Em dezembro de 2007, quando questionada sobre transtornos em aeroportos, ela disse aos passageiros: "Relaxa e goza porque você vai esquecer dos transtornos”.

Em 2010, foi eleita senadora com 22,61% dos votos, atrás do senador tucano Aloysio Nunes. 

Ruptura

Marta assumiu o comando do Ministério da Cultura em setembro de 2012, cargo que ocupou até o final de 2015, sendo substituida por Juca Ferreira. Ela fez diversas críticas ao governo após ser preterida. Ao deixar o ministério, em novembro do ano passado, ela usou sua conta pessoal no Facebook para criticar a nomeação de Ferreira. 

"A população brasileira não faz ideia dos desmandos que este senhor promoveu à frente da Cultura brasileira. O povo da Cultura, que tão bem o conhece, saberá dizer o que isto representa", escreveu Marta.

Em entrevista ao jornal "O Estado de São Paulo", publicado no dia 11 de janeiro, a ex-ministra fez uma série de críticas ao PT e à presidente Dilma Rousseff. Ela chegou a dizer: "ou o PT muda ou acaba". Ela ainda definiu a condução econômica como "fracasso". Na ocasião, Marta também disse que se sentia "alijada e cerceada". "Cada vez que abro um jornal fico estarrecida. É esse o partido que ajudei a criar", disse. 

Quinze dias depois, em artigo assinado por ela no jornal "Folha de S.Paulo", entitulado "O diretor sumiu", Marta critica novamente a condução econômica do País. "Se houvesse transparência na condução da economia no governo Dilma, ela não teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro e que não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir”, escreveu. 

E disse também que o Brasil vive “crises de todos os tipos: crise econômica, política, moral, ética, hídrica, energética e institucional. Todas elas foram gestadas pela ausência de transparência, de confiança e de credibilidade”.


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