Esvaziado, ato anti-Dilma tem cartaz em inglês e hino a favor do impeachment

Por David Shalom - iG São Paulo | - Atualizada às

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Protesto organizado pelo grupo Revoltados Online atraiu cerca de 50 pessoas, de acordo com a PM; ato foi encerrado em menos de 1 hora devido à chuva que atingiu a Av. Paulista

Organizado pelo grupo Revoltados Online com o objetivo de fazer frente aos protestos convocados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), o protesto em prol do impeachment da presidente Dilma Rousseff não foi exatamente um sucesso. De fato, se a ideia era fazer um "esquenta" para os atos de domingo (15), ele pode ser classificado como exatamente o oposto disso.

Manifestantes em ato contra Dilma: pouca gente para um
David Shalom/iG São Paulo
Manifestantes em ato contra Dilma: pouca gente para um "esquenta" para o protesto de domingo

Primeiro pelo incrível atraso de mais de duas horas devido à imensa movimentação de militantes em defesa do governo em frente à sede da Petrobras em São Paulo, na Avenida Paulista, e às chuvas que complicaram o trânsito em toda a cidade. Mas não só por isso.

Manifestantes começaram a surgir pela área bem antes, por volta das 16h. Só que apenas um aqui, outro ali. Às 17h, menos de 20 pessoas se concentravam no local. Às 17h30, quando os organizadores começaram a chegar, o número pulou para, no máximo, 50, segundo a própria Polícia Militar. Em sua maioria, homens e mulheres de meia-idade e idosos. 

Entre o público – parte dele empunhando orgulhosamente bandeiras do Brasil –, um cartaz pedia pena de morte aos corruptos da Petrobras e outro, escrito em inglês, dizia "queremos nosso Brasil de volta"

O ato foi acompanhado por um caminhão de som com repertório que mesclou ao longo de pouco mais de meia hora o Hino Nacional Brasileiro e a canção "Impeachment", composição dos músicos Eder Borges e Luiz Trevizani, que tentavam agitar os presentes sobre o veículo. Um ou outro manifestante cantava a letra, timidamente

Líder do Reacionários Online, Marcelo Reis fez um discurso inflamado, enquanto colegas do movimento SOS Militar o observavam da rua trajando roupas camufladas e ostentando uma faixa que explicava as ideias do grupo, a favor da volta da ditadura. "O mais importante é fazer protestos pacíficos, ordeiros. Demoramos [para começar hoje] por que não queríamos conflito com essa raça de sindicalistas. Nós somos coxinhas, esta é a grande verdade! E não se deve ter medo de ir às ruas porque temos esta preocupação", bradou ele.

"Confiamos na nossa Polícia Militar, composta por homens e mulheres corajosos. E sempre confiaremos", disse, enquanto aplaudia as quase cinco dezenas de homens da Rocam presentes no ato esvaziado. Os militantes o acompanharam com entusiasmo no gesto.

Em dado momento, Marcelo agradeceu a Deus e pediu a seus seguidores para rezar o "Pai Nosso". Mais uma vez, foi prontamente atendido.

Temor
"Estou sem dormir, morrendo de medo de o Brasil virar um país comunista, bolivariano. De o Brasil virar uma Venezuela, uma Cuba", disse, afoita, a bióloga Luzia Ricciardi, 64 anos, uma das presentes que voltou a abraçar a militância social após anos sem ir às ruas. Ainda na década de 1960 ela já o fez em meio ao golpe militar que destituiu o então presidente João Goulart do poder; voltou a fazê-lo na campanha Diretas Já, na década de 1980, responsável por pressionar as autoridades pelo fim da ditadura no Brasil.

Insatisfeita e temerosa, meio século depois ela quer a volta do regime. E diz isso com orgulho, vestida de verde e amarelo da cabeça aos pés e balançando uma grande bandeira do Brasil. "Sou a favor da intervenção militar. Acho possível uma ditadura sem excessos", afirmou ela. "O justo é que haja intervenção, porque o governo do PT não vai sair caso isso não aconteça. No próximo domingo vamos ter milhões de pessoas aqui na Paulista." 

O otimismo de Luzia para a manifestação convocada para o fim de semana era a tônica entre todos os presentes do ato anti-Dilma. A professora aposentada Leny Guerra ("com 'Y', porque é mais chique"), que até o ano passado nunca havia ido a nenhum protesto e hoje comparece a todos contra a presidente, se mostrou confiante. "A única coisa que posso fazer pelo País é estar aqui e isso aqui vai estar transbordando no domingo", sorriu ela. "Vai ser melhor também, porque hoje deu um medo só para chegar aqui... Só via gente de vermelho. E onde tem vermelho tem confusão."

Revoltados Online
Com quase 700 mil seguidores, a página Revoltados Online alimenta diariamente as redes sociais com duras críticas ao governo Dilma. Líderes do grupo defendem o impeachment como "constitucional e consequência por crimes de irresponsabilidade e estelionato eleitoral”. 

Veja fotos do protesto organizado pelo grupo Revoltados Online:

Ambulantes vendem faixas anti-Dilma em protesto do Revoltados On Line. Foto: David Shalom/iG São PauloAmbulantes vendem faixas anti-Dilma em protesto do Revoltados On Line. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes no ato do Revoltados On Line pedem impeachment de Dilma Rousseff. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes no ato do Revoltados On Line pedem impeachment de Dilma Rousseff. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes no ato do Revoltados On Line pedem impeachment de Dilma Rousseff. Foto: David Shalom/iG São PauloRevoltados On Line pedem impeachment de Dilma Rousseff. Foto: David Shalom/iG São PauloRevoltados On Line pedem impeachment de Dilma Rousseff. Foto: David Shalom/iG São Paulo



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