"Lula tem obsessão por mim. Não tem credibilidade", diz FHC

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

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Tucano, que enfrenta a quarta derrota seguida de seu partido, prevê governo mais difícil para Dilma, mas nega risco de crise

Cerca de duas horas depois do anúncio da terceira derrota consecutiva do PSDB na disputa pelo Palácio do Planalto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, na noite deste domingo (26), que sua legenda precisa "falar pensando no País" e se aproximar da população que quer distância dos partidos políticos.

"Eu acho que o PSDB tem que falar pensando no País, pensando no Brasil, juntando-se a outras forças, sobretudo às que não têm partido nenhum, que é a imensa maioria da população", disse FHC no hall do edifício onde mora em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo.

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Aécio Neves e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso juntos na Convenção Nacional do PSDB em São Paulo; ex-presidente acha que ainda é cedo para falar sobre candidato em 2018

Argumentando que o atual sistema político está desacreditado, FHC alfinetou a proposta de Dilma Rousseff (PT) de realizar um plebiscito para a realização de uma reforma política, apresentada após as manifestações de junho de 2013.

" O sistema político atual está desacreditado. Plebiscito é manipulação popular de quem está no poder. Consulta popular, sim, para saber se está de acordo ou não, sim. Mas você em tese dizer 'sim' ou 'não' sem explicar [como ocorreria num plebiscito], isso não. Isso é comum em regime de direita, não de esquerda."

O tucano avalia que, mesmo com o novo revés, o PSDB ainda tem força para continuar como líder da oposição.

"O que você acha se quase metade da população ficou do lado do PSDB? Claro que tem força", disse FHC. "O PSDB mostrou, e não só o PSDB. Há um sentimento de mudança. Não é essa mudança da boca para a fora. É mudar os comportamentos, a orientação da economia, fortalecer a democracia, mudar o modo como ela [Dilma] apareceu na política externa. O PSDB tem posições nessa matéria toda e tem o respaldo de metade do País."

Para FHC, Aécio Neves pode permanecer na presidência do partido mesmo depois de derrotado até em seu Minas Gerais, onde nasceu e o qual governou entre 2003 e 2010 – o vice assumiu a partir de então. Mas disse ser cedo para considerá-lo como o nome tucano para a eleição de 2018.

"Ele demonstrou que tem capacidade de comando, que [é] muito hábil nas negociações políticas e muito corajoso nos debates e no enfrentamento das dificuldades em todos os momentos".

"Estamos num caminho não de comunismo, de desfaçatez"

FHC acusou a campanha petista de ser destinada a "destruir" as candidaturas adversárias, sectária e lastreada em mentiras sobre o período em que o ele governou o País (1994-2002).

"Por que mentir que nós queremos acabar com os bancos públicos? Nós estamos indo para um caminho que não é de comunismo, é de desfaçatez, de mudar a História."

O tucano, entretanto, colocou a maior parte dos ataques ao seu período como presidente na conta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu sucessor.

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"O Lula tem obsessão por mim, mais do que a Dilma. Com a Dilma eu fico triste. Ela não pensa assim. Com o Lula eu não fico nem triste, ele diz o que é necessário, oportuno da hora de dizer", disse. "Ele não tem credibilidade"

O tucano cobrou, inclusive, que o petista preste esclarecimentos à Polícia Federal em investigações relacionadas ao mensalão – Lula teria declinado um convite feito pela corporação, segundo reportagem do jornal "Folha de S.Paulo".

FHC disse, entretanto, acreditar que Lula e Dilma não têm responsabilidade pessoal no escândalo da Petrobras – reportagem da revista "Veja" diz que o doleiro do caso, Alberto Yousseff, afirmou que os dois tinham conhecimento do caso – e negou ver risco de crise institucional no segundo governo da petista em razão da denúncia.

"Eu não acho que haja envolvimento pessoal da presidente Dilma. Eu não sei com relação ao presidente Lula se há, é outra coisa. Eu não creio", disse o tucano. "Eles têm responsabilidade política, que é outra coisa, por não terem cortado há mais tempo a organização, não só na Petrobras. Mas daí a acusar pessoalmente e pensar em crise institucional, é um passo muito diferente. Não é meu pensamento."

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Para FHC, o combate efetivo à corrupção é uma das condições para que o PSDB inicie um diálogo com o PT.

"Essas são pré-condições para a gente depois poder falar de diálogo. Diálogo na base do como está não pode haver. Porque tem visões diferentes do Brasil."

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