Vencer o atual ciclo de governo é desafio equivalente a derrubar regime militar, argumentou ex-senador

Marina Silva aparece com novo visual no encontro com Aécio Neves nesta sexta-feira em São Paulo (17/10)
Facebook/Marina Silva
Marina Silva aparece com novo visual no encontro com Aécio Neves nesta sexta-feira em São Paulo (17/10)

Um dia depois de comparar a propaganda da campanha de Dilma Rousseff (PT) à do regime nazista, Aécio Neves (PSDB) comparou o governo petista à ditadura militar e sua aliança com a ex-petista Marina Silva à Aliança Democrática que se opôs àquele regime.

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"Eu me lembro muito daquilo que foi feito há 30 anos atrás (...). Eu acompanhei a construção da Aliança Democrática, que tinha um objetivo: encerrar o ciclo autoritário do Brasil", disse Aécio. "Essa aliança foi vitoriosa (...). Fizemos aquela travessia com a união de forças, de pensamentos distintos. Hoje temos um outro desafio, que não é menor do que aquele, que é encerrar este ciclo de governo que perdeu as condições de governar o Brasil."

O tucano ressaltou porém que vivemos uma "democracia plena". Marina, por sua vez, afirmou que sua Rede Sustentabilidade - legenda que ela acusa o PT de ter ajudado a barrar - é o "primeiro partido a ser clandestino em plena democracia".

A declaração foi dada nesta sexta-feira (17), na primeira agenda pública de Aécio e Marina - a quem, no primeiro turno, o senador qualificou de velho PT.  A ex-senadora poderá acompanhar o tucano em novos eventos, caso ele a convide.

Marina compara Aécio a Lula

Enquanto Aécio aproximava o governo do PT da ditadura, Marina comparava Aécio ao ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva, ao comparar o documento "Juntos pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento Social" divulgada pelo tucano na semana passada à Carta aos Brasileiros de Lula em 2003.

"Há 12 anos atrás,  um candidato apresentou uma carta compromisso aos brasileiros, dizendo que naquele momento em que a sociedade igualmente queria alternância de poder, queria mudaçna, de queele iria apresentar novas propostas mas que iria tratar o Plano Real como uma conquista da sociedade brasileira e iria preservar", disse Marina. "Doze anos pois, você [ Aécio ] faz o mesmo gesto, diz que vai recuperar o que se perdeu no atual governo, que é a estabilidade economica e diz que vai manter as políticas sociais que foram ampliadas e aperfeiçoadas durante o governo do presidente Lula."

No primeiro debate do segundo turno, realizado pela Band na terça-feira (13), Aécio Neves já havia feito menções positivas ao ex-presidente Lula.

Tucano usa marinês

Aécio também adotou o vocabulário de Marina, que se apresentava como uma nova política alternativa em oposição ao PT e ao PSDB, que seriam representantes da velha política.

"Estou vivendo um momento histórico desta caminhada onde forças políticas que disputaram uma eleição se unem no segundo turno para em torno de um projeto de país construírem uma agenda comum. É algo que deve ser enfatizado como uma prática política nova no Brasil", disse. Veja mais no vídeo abaixo:


Aécio incorporou ainda a expressão "boa política" incluindo-se como praticante dela ao lado do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em um acidente aéreo em 13 de agosto, e Marina.

O tucanos enfatizou que o apoio de Marina não foi negociado em troca de cargos. Questionado se ela faria parte de um eventual governo seu, respondeu:
"Seria até desrespeito eu falar de governo, ou de espaços de governo. Nem estamos pensando nisso. Ela já dá uma contribuição muito mas muito expressiva mesmo àquilo que o Brasil espera. O Brasil quer uma mudança qualificada."

Veja fotos de Aécio Neves em campanha pelo segundo turno das eleições:


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