Documentos sobre avião de Campos podem ter sido destruídos no acidente, diz PSB

Por Vitor Sorano - iG São Paulo |

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'Se estava no avião não existe mais', disse tesoureiro do partido. Mais cedo, Marina prometeu respostas sobre compra do jato

O novo tesoureiro da campanha presidencial do PSB, Márcio França, tentou distanciar de Marina Silva a polêmica sobre o uso do avião que caiu em Santos matando o então cabeça da chapa, o ex-governador Eduardo Campos. "Responder ela tem que responder, (mas) no limite da responsabilidade dela."

Entenda: Marina promete respostas sobre compra do jato que matou Campos

França disse acreditar que Marina não tenha conhecimento sobre como foi feita a negociação que colocou o avião, de propriedade da AF Andrade Empreendimentos, à disposição de campanha de Campos.

Vitor Solano/iG São Paulo
Tesoureiro Márcio França durante entrevista nesta segunda-feira, em São Paulo

Não está claro, até agora, se o avião foi emprestado ou alugado para a campanha, e os dados não foram foram apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). França sugeriu que os documentos do contrato poderiam, inclusive, estar no avião, o que dificultaria ainda mais o esclarecimento do caso.

"Documento de avião você carrega no avião. Se estava no avião, já não existem mais", disse França, pouco antes do debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, promovido pela TV SBT, jornal Folha de São Paulo, portal UOL e rádio Jovem Pan. O tesoureiro também alegou desconhecer a forma do contrato, e que dados relativos do avião não entrarão nas contas da candidatura de Marina, que possui uma conta bancária nova, separada da de Campos.

Veja trechos da letra: 'Não vamos desistir do Brasil' vira jingle de Marina

França também sugeriu que esses recursos podem não entrar na conta do comitê financeiro da campanha presidencial do PSB - o partido pode abrir uma nova conta de campanha, segundo o TSE. "Eu não tenho certeza, mas aquele contrato pode estar vinculado ao comitê financeiro do Eduardo ou ao comitê financeiro da campanha Eduardo."

Depois de tentar fugir da questão por três vezes, a candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, quebrou o silêncio e prometeu para “hoje (segunda) ou amanhã (terça)” respostas sobre o suposto uso de caixa 2 para comprar o jato.

Marina foi questionada a esse respeito depois de quase uma hora andando pelo corredor principal da Bienal do Livro, que acontece na zona norte de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (25). Como havia ocorrido no último domingo (24) e na sexta-feira (22), o candidato a vice, Beto Albuquerque, deputado federal pelo Rio Grande do Sul, tentou dar respostas no lugar da candidata, que, pressionada, decidiu falar. 

Com a insistência da imprensa para que Marina se manifestasse, ela disse que está preocupada não apenas quanto à “questão legal”, mas quer respostas sobre as causas do acidente. “O partido está juntando informações e, entre hoje e amanhã, estará dando as explicações para a sociedade.”

Pesquisa mostrará números "avassaladores"

França afirmou que números a que a campanha de Marina teve acesso mostrarão uma melhora "avassaladora" da posição da candidata nas pesquisas de intenção de voto. O Datafolha apontou que, nos dias seguintes à morte de Campos, a candidata tinha 21% das intenções de voto, ante 20% de Aécio Neves (PSDB) e 36% de Dilma Rousseff (PT). "Para quem na última eleição era uma zebra, eu acho que hoje Marina é favorita", afirmou França.

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