Presidente disse ainda que é impossível reduzir meta de inflação e não prejudicar programas sociais

Reuters

A presidente Dilma Rousseff (PT), que concorre à reeleição, disse nesta sexta-feira (22) que não pretende rever a fórmula de cálculo para benefícios previdenciários, conhecida como fator previdenciário, uma antiga demanda das centrais sindicais.

"Não vou acabar com o fator previdenciário no segundo mandato e nem tratei dessa questão", afirmou a presidente em Novo Hamburgo (RS), após visitar o sistema de trens urbanos.

Dilma Rousseff, candidata à releição pelo PT, faz viagem de trem em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul (22/08)
Divulgação/PT
Dilma Rousseff, candidata à releição pelo PT, faz viagem de trem em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul (22/08)


A fórmula leva em conta o tempo de contribuição, a idade da pessoa que se aposentou e a expectativa de vida da população. O método é criticado pelas centrais, que consideram que o uso da expectativa de vida reduz o valor do benefício.

"Acho que qualquer mudança na Previdência tem que levar em conta a forma pela qual há o envelhecimento da população brasileira", argumentou a presidente. Sem isso, segundo ela, mudar "é uma temeridade."

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"Acho que quem falar que vai acabar com fator previdenciário tem que falar como é que paga (os benefícios)", disse Dilma.

A petista também criticou, sem citar nominalmente, a proposta da candidatura do PSB, que sugere a redução da meta de inflação para 3% ao longo dos próximos quatro anos. Hoje a meta de inflação é de 4,5%, podendo oscilar numa banda de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. A inflação acumulada em 12 meses no país tem batido no teto da meta.

"É impossível você falar que 'vou reduzir a meta de inflação' e não explicar o que faz com os programas sociais, porque quem falar para vocês que vai reduzir a meta de inflação, no dia seguinte tem que cortar programa social", argumentou Dilma.

Dilma voltou a defender a gestão econômica do governo frente à crise mundial e disse que é normal haver uma redução no ritmo da geração de emprego nesse momento.

Apesar de ainda baixo para os níveis históricos, o desemprego tem se alastrado nesse momento eleitoral por vários setores da economia, e a geração da vagas formais tem sido a mais baixa dos últimos anos.

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"É obvio que nós não vamos manter a mesma geração de emprego que nós mantínhamos logo no início, quando saímos do desemprego e começamos a crescer", argumentou a presidente.

"No Brasil não tem situação de desemprego... É óbvio que tem uso eleitoral dos processos de flutuação", disse.


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