O PSDB terá agora de repensar a estratégia de campanha tucana, pois seu alvo anteriormente era o governo Dilma

Brasil Econômico

O PSB informou que não discutiria a substituição do nome de Eduardo Campos enquanto o corpo do líder do partido não fosse enterrado. Mas não perdeu tempo. Os cinco partidos da coligação, a viúva, Renata , e o irmão do presidenciável, Antonio Campos , indicaram Marina Silva para substituí-lo. O PSB, segundo informações, teria em mãos pesquisa interna, feita depois do acidente aéreo que matou Campos , que mostrariam Marina já na frente ou ao lado do candidato tucano Aécio Neves . A decisão veio rápida por causa da comprovação da densidade eleitoral de Marina. O PSDB terá agora de repensar a estratégia de campanha, pois seu alvo era o governo. “Aécio não via Campos nem no retrovisor”, observa o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, da FGV.

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“Agora, é provável que esteja no retrovisor ou no para-brisa”, acrescenta. Para ele, Marina também complica a disputa para Dilma Rousseff por atrair eleitores do governo. Muitos que anulariam o voto, poderão também optar pela líder da Rede. O PT ainda não se posicionou diante do novo quadro. O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) acredita que, daqui por diante, Marina disputará duramente com Aécio a ida ao segundo turno para enfrentar Dilma. “É certo que ela cresce e dificulta as coisas para o Aécio.” Em São Paulo, um grupo de intelectuais, empresários e artistas que se aproximaram da ex-ministra do Meio Ambiente, mas se afastaram depois da aliança com Campos, agora planejam um retorno. Enquanto se discutia a legalização da Rede, eles vinham se reunindo com conselheiros de Marina, como Ricardo Abramovay, professor de Economia da USP.

Veja fotos dos presidenciáveis:

Lei teve apoio de pilotos de aeronaves

Sancionada em maio pela presidente Dilma, a lei 12.970 - que restringiu o acesso às informações de acidentes ao Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos - foi elaborada por especialistas em segurança de voo e contou com o apoio de pilotos e fabricantes. Para eles, a prioridade da investigação é evitar acidentes semelhantes. Por isso, os envolvidos podem até assumir eventuais falhas em seus procedimentos, sem temer consequências criminais. Essa investigação tem acesso prioritário às caixas-pretas e aos destroços da aeronave. O acesso da investigação policial depende de autorização judicial.

Duas investigações

No processo criminal brasileiro, os investigados não são obrigados a dizer a verdade. O argumento dos defensores da nova lei é que a possibilidade dos depoentes omitirem informações ou mentirem poderia prejudicar a segurança de voo. Por isso, as duas investigações devem ser separadas.

Morte mobilizou as redes sociais

A página de Eduardo Campos (PSB) no Facebook ganhou mais de 400 mil curtidas na semana passada. O crescimento foi maior desde o dia do acidente aéreo que o matou. Antes, a página tinha um milhão de fãs. Cogitada para substituí-lo, a vice na chapa, Marina Silva, também atraiu fãs na última semana. Foram mais de 200 mil. Agora, sua página está próxima de 1 milhão de curtidas. Bem mais modesto, o perfil do PSB nacional agregou mais 8 mil seguidores, e ultrapassou 80 mil.

Internauta vai da conspiração e piadas ao luto

A Gauge, empresa de monitoramento e análise de mídias sociais, fez um relatório sobre o impacto do acidente nas redes. A reação dos internautas na primeira hora foi de publicar piadas sobre a morte e teses conspiratórias, principalmente culpando a presidente Dilma Rousseff. Depois, os destaques foram o compartilhamento de notícias e reações de luto.

*Com Leonardo Fuhrmann

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