À espera de decisão do PSB, campanhas de Dilma e Aécio falam em virada na cena eleitoral e discutem estratégias de campanha

A morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e as expectativas em torno da possível indicação da ex-senadora Marina Silva como candidata ao Planalto acenderam o sinal amarelo nas campanhas do PT e do PSDB. A ordem nos dois partidos é aguardar uma decisão concreta do PSB sobre a chapa presidencial. Mas petistas e tucanos admitem que estariam dadas as condições para uma reviravolta na cena eleitoral. Uma preocupação comum é de que o clima de comoção com a morte do socialista dê um impulso ao projeto de uma terceira via, que até então era dado como superado pelas duas campanhas.

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Candidata à vice-presidência do PSB, Marina Silva, é vista durante sabatina na CNI na 30 de julho
ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA
Candidata à vice-presidência do PSB, Marina Silva, é vista durante sabatina na CNI na 30 de julho

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Entre aliados de Dilma, a expectativa é de que a negociação sobre o destino de Marina seja dura e acirre os ânimos entre socialistas e integrantes da Rede Sustentabilidade. A mesma impressão apareceu nas rodas tucanas, embora os dois lados já considerem praticamente certa a indicação de Marina.

Tanto o time petista quanto o tucano entendem que a eventual entrada da ex-verde na disputa põe em risco a polarização que desejavam na corrida eleitoral. Marina, diz um líder do PSDB, tem chances maiores de atrair o eleitorado jovem e capitalizar o sentimento de mudança identificado nas principais pesquisas de opinião. Além disso, acrescenta, ela tem a vantagem de dialogar bem com o eleitorado evangélico, podendo diminuir o potencial de crescimento do candidato do PSC, Pastor Everaldo .

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As duas campanhas entendem também que Marina seria uma adversária bem mais dura do que Campos contra o PT e o PSDB. Por ter rompido com a gestão petista em 2009, ela teria mais legitimidade para se opor a Dilma e a criticar o governo dela. Campos fez parte do governo Dilma até o final de 2013. Já em relação a Aécio, Marina teria condições de investir de maneira mais incisiva no discurso contrário à “velha política”, atacando, por exemplo, episódios como o da construção do aeroporto de Cláudio (MG) , em terras que pertenceram à família do tucano.

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Petistas e tucanos entendem que Marina havia entrado na corrida eleitoral bem menor que em 2010, quando recebeu 19.636.359 de votos. Há no tucanato quem arrisque dizer que ela pode até mesmo aparecer na casa dos 15% já na próxima pesquisa de opinião. Isso sem contar que Marina entraria na corrida já como uma liderança nacional consolidada, sem a necessidade de lutar contra o alto grau de desconhecimento, como ocorria com Campos.

Reorganização

Na quarta-feira (13), integrantes da campanha de Dilma conversaram informalmente sobre os desdobramentos da morte de Campos. Como o coordenador Rui Falcão estava em Fortaleza e planejava seguir diretamente para o Recife, a tendência é que uma reunião formal sobre os próximos passos da campanha seja adiada.

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Mas o novo cenário trouxe à equipe petista pelo menos mais uma outra preocupação, esta de ordem operacional. O problema é que Dilma vinha adiando as viagens pensadas especificamente para colher imagens para o programa eleitoral na televisão. As filmagens estão atrasadas, principalmente a captação de cenas em grandes obras do governo federal.

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Com o luto oficial, a campanha optou por suspender as viagens e cancelou duas visitas importantes para o marketing. Dilma iria no próximo sábado aos municípios pernambucanos de Floresta e Cabrobó. A intenção da campanha de Dilma era gravar imagens de água jorrando no sertão nordestino devido às obras de transposição do Rio São Francisco.

Segundo turno

A campanha de Aécio avalia que, até para pensar ações estratégicas para a campanha, o melhor neste momento é ter cautela. Há no campo tucano quem afirma que Marina reúne, neste momento, todas as condições para ultrapassar Aécio ainda na primeira fase da disputa.

E quem enxerga o senador mineiro na segunda etapa da eleição, lembra que Marina provavelmente resistiria em apoiá-lo – o endosso era tido como certo com Campos na cabeça de chapa. Por outro lado, aliados de Aécio relativizam o impacto disso numa disputa entre PT e PSDB num segundo turno ponderando que Marina também não deverá apoiar Dilma, permanecendo neutra.

Membros do PSDB consideram que talvez o pouco tempo de campanha, cerca de 40 dias a partir do prazo final para substituição do candidato no TSE, poderia ser um obstáculo ao crescimento da socialista. Some-se a isso outro aspecto apontado por correligionário de Aécio como ruim para Marina: a pequena estrutura partidária responsável por capilarizar sua campanha pelo Brasil.

Embora preguem muita cautela na forma como Aécio deve encarar a morte de Campos, parte do PSDB acredita que agora, em função do perfil de Marina e a forma como ela deverá elevar o tom de críticas à gestão de Dilma, será o momento do tucano intensificar sua posição como opositor. Essa seria uma forma de neutralizar parte da força de Marina como nome de oposição.

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