Briga em RR expõe disputa por mineração em terras indígenas

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* |

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Debate em Roraima ganhou dimensão nacional depois de líder ianomâmi ter declarado que está sendo ameaçado de morte

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O debate político em Roraima ganhou dimensão nacional depois de o líder ianomâmi Davi Kopenawa ter declarado na Flip (Festa Literária de Paraty), na noite do último domingo (03), que está sendo ameaçado de morte. Kopenawa afirmou ainda que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e sua família incentivam a invasão de terras indígenas por garimpeiros, o que aumenta os conflitos entre as diversas etnias e os brancos. Em resposta, o parlamentar negou as afirmações do ianomâmi e o acusou de estar agindo para favorecer a candidatura de Ângela Portela (PT) ao governo do Estado. Segundo a petista, o líder indígena não a apoia. Ela, no entanto, manifestou preocupação com a segurança de Kopenawa, e acusou o governo de Roraima de não dar a devida atenção às ameaças contra ele.

Fernando Frazão/ Agência Brasil
O líder ianomâmi Davi Kopenawa declarou na Flip, na noite do último domingo (04), que está sendo ameaçado de morte


Kopenawa levou a denúncia à Polícia Federal no Estado no mês passado. Ele estava acompanhado de dirigentes da Funai. Roraima é uma das regiões do País onde o voto dos indígenas tem maior peso. Neste ano, as diferentes tribos decidiram se unir em torno de duas candidaturas na disputa proporcional: do coordenador-geral do CIR local, Mário Nicácio (PCdoB) a estadual; e do ex-assessor do Instituto Sócio Ambiental (ISA) Aldenir Wapichana (PT) a federal.

Leia mais: Ao menos 53 índios foram assassinados no Brasil em 2013, aponta relatório

Independentemente da disputa eleitoral, Jucá tem uma relação difícil com os indígenas, ainda mais quando o tema envolve mineração. O senador é autor de uma PEC que permite a exploração mineral dentro das reservas. Além disso, a filha dele Marina é sócia de uma empresa que entrou com um pedido para explorar ouro em nove terras das quais fazem parte territórios indígenas. Para Ângela, Jucá tenta usar a disputa eleitoral para se defender.

Mais uma chance para Vargas falar

Relator do processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar contra o deputado André Vargas (PT-PR) na Câmara, Julio Delgado (PSB-MG) concorda em adiar a apresentação de seu relatório para ouvir o colega investigado. Inicialmente, seu parecer seria apresentado hoje. Vargas não atendeu outros convites para depor e tem criticado o relator por, segundo ele, cercear seu direito de defesa. O parlamentar tem defendido que o pessebista se declare suspeito para ser relator por já ter, segundo ele, emitido juízo de valor sobre os fatos investigados. André Vargas inclusive entrou com um mandado de segurança no STF contra Delgado e o presidente do conselho, Ricardo Izar (PSD-SP).

Amigos de doleiro

O parlamentar paranaense, assim como Luiz Argôlo (SDD-BA), é acusado de ter atuado em favor do doleiro Alberto Youssef, de quem era amigo. Ele também teria viajado em um avião com despesas pagas pelo doleiro. Andre Vargas chegou a anunciar após as denúnicias a sua saída do PT, mas, oficialmente, para a Câmara, continua no partido.

Tema sem divergência na família Genro

Candidata à Presidência pelo Psol, a ex-deputada Luciana Genro concluiu no mês passado a sua pós-graduação em Direito Penal em uma faculdade de Porto Alegre. O seu trabalho aponta o fracasso da chamada “guerra às drogas” e critica a legislação brasileira, que dá o arbítrio para as autoridades, no momento do flagrante, decidirem quem é usuário ou traficante. Filha do governador gaúcho, Tarso Genro (PT), ela faz oposição ao pai. Mas, neste ponto, os dois têm opiniões semelhantes.

Campos acaba destacando universidades da gestão petista

O presidenciável do PSB, Eduardo Campos, anunciou ontem o seu projeto para a juventude, que inclui o passe-livre para estudantes e o aumento das escolas integrais, inclusive no ensino médio. O ex-governador de Pernambuco destacou a expansão das universidades federais durante os governos petistas, mas diz que é preciso que o ensino nos outros níveis tenha a mesma qualidade.

“Brasil é um país que nem sabe quanto sua policia mata. Isso já e um indicador muito grave” - Átila Roque, diretor da Anistia Internacional no Brasil, sobre a falta de dados sobre a violência cometida por policiais

*Leonardo Fuhrmann (interino)

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