Alckmin joga no Governo Federal culpa por crises em sua administração

Por Vasconcelo Quadros I iG São Paulo |

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Governador paulista e candidato à reeleição coloca na conta de Dilma problemas que tem na saúde, segurança e presídios

Dando munição ao discurso do aliado e candidato tucano à Presidência, o senador Aécio Neves, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) quer colar no Palácio do Planalto a responsabilidade por problemas que têm sido alvos de críticas em sua gestão, em áreas como saúde e segurança. O candidato à reeleição ao governo de São Paulo quer colocar na conta da administração Dilma Rousseff até as incoerências entre os partidos reunidos na coligação que sustenta a candidatura dele.

“O Brasil não produz crack e cocaína e virou o maior consumidor mundial. Aqui produzimos soja, milho, carne, etc... Se não produzimos, como é que entra?”, indagou Alckmin na última segunda-feira (04), ao ser questionado sobre a violência no estado governado por seu partido há 20 anos. O candidato relacionou a fragilidade da segurança ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro, que são responsabilidades do governo federal. “Precisa polícia de fronteira”, recomendou.

Marcos Fernandes/ ObritoNews
Ao mesmo tempo que joga culpa das crises de seu governo na conta de Dilma, governador Geraldo Alckmin dá munição ao aliado Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência


Alckmin fez a afirmação durante sabatina na sede do jornal O Estado de S. Paulo. Na entrevista, que durou 60 minutos, o governador passou 18 minuto tentando explicar a crise hídrica, que tem deixado São Paulo sobre constante ameaça de racionamento.

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Responsável por quase metade das duas décadas em que os tucanos estão no poder no Estado, Alckmin tentou culpar o governo do PT em várias questões, mesmo em denúncias como a do cartel de trens Alstom/Siemens, que atingiu mais fortemente o PSDB.

“O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) nunca levantou nada”, apontou o governador. Alckmin disse que soube das denúncias três meses depois da abertura das investigações, mas afirmou que o assunto só chegou ao Governo Federal graças à “delação premiada” da Siemens. Sugerindo uso político do fato, mas sem citar nomes, Alckmin lembrou que a empresa também vendia produtos em energia e saúde para outros governos quando a acusação de cartel foi deflagrada mirando os tucanos paulistas. “Defendo a verdade absoluta, sem vazamento, com transparência.”

Dinheiro da Santa Casa 

Em relação ao “bacanal” partidário de sua coligação, que abriga tanto seu correligionário Aécio quanto o adversário Eduardo Campos, candidato do PSB a Presidência, Alckmin atribuiu a confusão gerada pelo multipartidarismo e empurrou também o problema para o Governo Federal. “Faltam as reformas estruturantes, como a reforma política. Nenhuma andou”, argumentou o governador, sem fazer menção ao fato que este tema já se colocava como um imperativo no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, seu colega de partido.

Para Alckmin, a ameaça de fechamento da endividada Santa Casa da Misericórdia de São Paulo é resultado da crise na gestão financeira do Sistema Único de Saúde, sendo mais uma vez, um problema resultante do governo Dilma. “Estamos fazendo o que o Governo Federal deveria ter feito”, se esquivou o governador, informando que nos últimos dias, para garantir a reabertura do pronto socorro, o tesouro paulista liberou R$ 3 milhões.

Sobre os R$ 72 milhões que o Ministério da Saúde informou que governo paulista retirou do orçamento da Santa Casa, Alckmin alegou que a quantia está relacionada a incentivos que foram extintos em 2006 e 2012. O candidato afirmou ainda que o governo paulista gasta R$ 630 milhões por ano para complementar a tabela do SUS que, segundo ele, reduziu de 54% para 45% o valor de seus atendimentos.

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Alckmin faz caminhada pela cidades do ABC paulista no final de semana (21/9). Foto: Twitter/Geraldo AlckminAlckmin visita obras da maternidade de Santa Izabel, em Bauru, interior de São Paulo (18/9). Foto: Twitter/Geraldo AlckminSorriso aberto de Alckmin na visita aofuturo Hospital Especializado em Trauma, em São Paulo (158/9). Foto: Marcelo Ribeiro/ Alckmin 45Alckmin visita as obras da Linha 5 do Metrô e a Linha 17 do Monotrilho (19/9). Foto: Alckmin 45Ao lado de Geraldo Alckmin, Aécio Neves faz caminhada em Santos com direito a pausa para um pastel (2/9). Foto: Igo Estrela/ObritoNewsGeraldo Alckmin faz campanha para José Serra, candidato do PSDB ao Senado em São Paulo (6/9). Foto: Facebook/Geraldo AlckminGeraldo Alckmin faz caminhada em Santos e ganha beijo de eleitora (2/9). Foto: Facebook/Geraldo AlckminAlckmin, candidato a reeleição ao governo de São Paulo, e o presidenciável Aécio Neves conversam em visita a estação do monotrilho (29/8). Foto: Ana Flavia Oliveira/iGAlckmin acompanha o presidenciável Aécio Neves em café da manhã com operários da construção civil em São Paulo (28/8). Foto: Marcus Fernandes/Coligação Muda BrasilGovernador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição visita a Etec Santa Ifigênia, em São Paulo (27/8). Foto: Alckmin 45Alckmin acompanha missa em Pirapora do Bom Jesus, no interior de São Paulo, no aniversário da cidade (7/8). Foto: Twitter/@geraldoalckimin_Tucanos Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra fazem selfie na fábrica Wurth, em São Paulo (7/8). Foto: Divulgação/PSDBAlckmin visita Mercado Municipal de São José dos Campos, interior de São Paulo, ao lado de José Serra e do presidenciável Aécio Neves (3/8). Foto: Twitter/@geraldoalckimin_Alckmin comparece a inauguração do Templo de Salomão em São Paulo e cumprimenta bispo Edir Macedo (31/7). Foto: Divulgação/Igreja Universal Ao lado de Aécio Neves e José Anibal, Geraldo Alckmin visita 3ª Feira Tecnológica da Zona Leste, em São Paulo (27/7). Foto: Twitter/@geraldoalckimin_Aécio Neves, Geraldo Alckmin e o padre Rosalvino, fundador da Obra Social Dom Bosco, visitam a Feira Tecnológica da Zona Leste de São Paulo (26/7). Foto: Facebook/Aécio NevesJosé Serra, Aécio Neve e Geraldo Alckmin visitam Parque da Juventude (26/7). Foto: Marcos Fernandes/ObritoNewsAlckmin acompanha Aécio Neves, candidato à Presidência, em visita ao projeto Mananciais, em São Paulo (19/7). Foto: Marcos Fernandes/PSDBAlckmin visita obra de recuperação da estrada SP 247 (19/7). Foto: Reprodução/Facebook oficial Geraldo AlckminCandidato em São Paulo, Alckmin visita obras de Fatec de Cruzeiro prevista para ser entregue em dezembro (19/7). Foto: Reprodução/Facebook oficial Geraldo AlckminCandidato visita Centro Dia do Idoso de Espírito Santo do Pinhal (17/7). Foto: Reprodução/Twitter @geraldoalckmin_Além de passear pela 29ª Festa da Cerejeira, em Suzano, Alckmin rasga elogios ao yakissoba que do local (14/7). Foto: Reprodução/Facebook oficial Geraldo AlckminGovernador e candidato à reeleição almoça em restaurante do programa Bom Prato em São Paulo (11/7). Foto: Reprodução/Facebook oficial Geraldo AlckminAo lado de Aécio Neves e José Serra, Geraldo Alckmin veste  kimono para visitar festival japonês em São Paulo (6/6). Foto: Reprodução/Twitter @geraldoalckmin_Geraldo Alckmin durante convenção que o oficializa candidato ao governo do Estado de SP (29/6). Foto: Futura PressDiscurso durante a convenção do PSDB em São Paulo (29/6). Foto: Reprodução/Twitter @geraldoalckmin_Alckmin recebe apoio da mulher e de Aécio Neves, candidato do partido à Presidência, durante convenção do PSDB (29/6). Foto: Reprodução/Twitter @geraldoalckmin_

Rejeição aos presídios federais

Perguntado sobre a resistência em usar as prisões federais de segurança máxima para isolar líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), Alckmin partiu para a evasiva. Ele declarou que o Estado pediu o Regime de Detenção Diferenciada (RDD) para o chefão da quadrilha, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, mas que a decisão depende da Justiça.

Alckmin procurou explicar a crise no sistema prisional paulista afirmando que organizações criminosas, de siglas diferentes, existem em todo o mundo. Ele lembrou que os líderes do PCC estão numa prisão com bloqueador de celular, a P2, em Presidente Venceslau.

Saiba mais: Investigação localiza R$ 200 milhões do PCC em contas de laranjas

Investigações recentes da polícia e do Ministério Público estadual apontam que Marcola e outros membros da cúpula da facção dominam 90% das prisões e são os autores das principais operações de tráfico de cocaína e de roubo de valores. Mas Alckmin insistiu na tese que o tráfico e lavagem de dinheiro são crimes cujo combate é obrigação legal do Governo Federal. “Precisa isolar”, argumentou o tucano, se referindo aos líderes das facções.

O governador e candidato pediu ainda que os jornalistas presentes cessassem as críticas a atuação dos policiais, que frequentemente são acusados de excesso de força junto à população e também nas manifestações. “Acho que está na hora de parar de falar mal da polícia”, recomendou o tucano.

Por fim, o candidato do PSDB defendeu a política de repressão no tratamento dos dependentes químicos. Ele se posicionou contra a legalização de drogas como a maconha, uma das bandeiras encampadas pelo presidente de honra de seu partido, Fernando Henrique. “Não tenho nenhuma convicção de que legalizando possa melhorar. Precisamos é combater os grandes”, concluiu Alckmin.

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