'Aceito hoje a indicação do meu partido. Sou candidato à Presidência da República para mudar o Brasil', disse senador

Com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a tira colo, o senador mineiro Aécio Neves foi oficializado neste sábado como candidato do PSDB para a eleição à Presidência da República durante convenção nacional do partido em um centro de convenções na zona norte de São Paulo.

Tucano Aécio Neves: 'Sou candidato à Presidência para mudar o Brasil'

Oficialização: Aécio chega de mãos dadas com FHC à convenção do PSDB

O evento começou às 10h com discursos de prefeitos e dirigentes da sigla, incumbidos de centrar fogo contra a presidente Dilma Rousseff, responsabilizada pelo que chamaram de "sucateamento da Petrobras" e pela "herança maldita de 12 anos do PT no Planalto".

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Por volta das 11h10, Aécio subiu ao palco de mãos dadas com FHC , de quem não saiu do lado. A fila de caciques foi ordenada assim: Aécio Neves, FHC, o anfitrião e governador Geraldo Alckmin (SP) e o candidato a presidente derrotado por Dilma em 2010, José Serra - ainda cogitado para vice do mineiro.

Antes que os principais tucanos tomassem a palavra, o microfone foi entregue à filha de Juscelino Kubitschek, a quem coube defender as políticas para as mulheres e criticar a violência pública.

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Até que os caciques finalmente tomassem a palavra, a organização do evento contou a história do partido na década de 1990em um telão de 64 metros. Foi exibido um pronunciamento de Mário Covas e a história do Plano Real. "Nos últimos 12 anos, nos tornamos o maior partido de oposição do país."

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Para surpresa dos presentes, o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade) foi chamado a falar. Partidário de Dilma na campanha anterior, ele foi o único que lembrou da vaia recebida pela presidente na abertura da Copa do Mundo . "Quando o telão mostrou a mulher, o povo mandou ela pro lugar que devia mandar."

Os caciques

Mas nenhum discurso contra o PT foi mais duro do que o preferido por Serra. Ele falou da "economia estagnada, inflação aumentada e saúde avançando para trás". "Para se chegar a isso, tem de ter uma incompetência convicta, de muito talento, como é o de Dilma."

O ex-governador paulista disse que o tucanato enfrenta dossiês, calúnias e "profissionais da roubalheira financiados com dinheiro público".

Aécio Neves discursa durante convenção nacional do PSDB
Orlando Brito/ Facebook Oficial de Aécio Neves
Aécio Neves discursa durante convenção nacional do PSDB

Sobre Aécio, poucas palavras. Ele disse que o PSDB está unido em torno do mineiro, "líder da vitória". Depois dessas palavras, Aécio foi ao encontro do antigo rival e, de braços dados, foram aplaudidos pela plateia.

O mesmo fez Aécio ao fim do discurso de Alckmin. O pronunciamento do governador de São Paulo foi curto, mas chamou a atenção pela empolgação quase sem fôlego com que anunciou "Aécio presidente".

Após os cumprimentos, o mestre de cerimônias anunciou o resultado da convenção: foram 451 delegados votantes, com 447 ratificações, três votos nulos e outro branco.

Foi só então que Fernando Henrique Cardoso começou a falar. À vontade, o ex-presidente discursou andando de um lado para o outro, segundo ele, "emocionado". "Estou entrando na nona década de vida emocionado com a sensação de que vamos ganhar esta eleição."

Para o tucano, "o governo atual é arrogante, culpa a imprensa e a oposição", enquanto a campanha do PSDB está "unida". Sobre Aécio, uma homenagem ao avô: "Eu venho de outra época. Assisti de perto às transformações das Diretas Já e a redemocratização. Tancredo Neves deu a vida para que o Brasil pudesse mudar. É deste que descende Aécio", disse. À filha de Juscelino, FHC afirmou que seu pai governava com alegria, e não com "carranca", em uma indireta à fama de durona da atual presidente.

Ele concluiu o discurso prevendo vitória de Aécio, que foi ao seu encontro sob aplausos da militância.

O candidato

Antes da fala do candidato, ouviu-se o hino nacional gravado pelo cantor sertanejo Zezé de Camargo, cabo eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2002. Aécio fez os agradecimentos iniciais e anunciou um poema declamado por Ferreira Goulart em homenagem ao avó. 

De volta ao púlpito coberto com a bandeira brasileira, Aécio deu um salto à década de 1990, anos em que o PSDB presidiu o País. Ele discorreu sobre o Plano Real e afagou Serra, "amigo e ministro, responsável pelo maior programa de combate à aids do mundo".

A segunda e maior parte de seu pronunciamento foi toda dedicada ao PT. Aécio começou afirmando que a "herança deixada por FHC está se esvaziando" e deu como exemplo "a volta da inflação" e a "desvalorização" da Petrobras, "que deixou de frequentar as páginas econômicas para frequentar as páginas policiais". "Cada ato é consequência de um governo que governa para si mesmo e que perdeu a capacidade de ouvir."

Já andando pelo palco, Aécio concluiu fazendo uma referência a JK e Tancredo: "Se coube a JK permitir o encontro com o desenvolvimento há 60 anos, Tancredo permitiu o reencontro com a democracia 30 anos depois. Outros 30 anos se passaram: que haja o reencontro com a decência, eficiência e a coragem. Aceito hoje a indicação do meu partido. Sou candidato à Presidência da República para mudar o Brasil ."

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