Governo monta esquema de guerra para garantir segurança na Copa do Mundo

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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Comitês de segurança estão sendo criados em cidades-sede e até Dilma ficará de sobreaviso para atuar em casos extremos

Com o objetivo de conter atos terroristas e até a violência nas manifestações programadas para o período da Copa do Mundo, o governo montou um esquema de segurança, envolvendo as pastas da Defesa, da Justiça e a da Casa Civil, que funcionará durante o mundial que ocorre em junho.

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Reuters
Esquema para a Copa inclui a presidente Dilma Rousseff (arquivo)


O esquema para a Copa inclui até a participação da presidente Dilma Rousseff, a quem cabe, constitucionalmente, a tarefa de dar a palavra final de atuação das Forças Armadas em casos extremos, como os de ataques terroristas, por exemplo. Por isso, a participação da Casa Civil foi incluída no planejamento das ações de segurança para a Copa, já que é a pasta mais próxima da presidente da República.

Na abertura e no encerramento da Copa do Mundo, o espaço aéreo das cidades-sede será fechado 3 horas antes do início da festa e 4 horas após. Isso ocorrerá em São Paulo e no Rio de Janeiro.

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57 mil militares foram mobilizados para atuar pela defesa nas cidades-sede

Para as partidas da primeira fase da competição, nas 12 cidades-sede, o tempo de restrição começa uma hora antes do início do jogo e vai até 3 horas depois do início da partida. Nas demais fases, o espaço aéreo será fechado uma hora antes e até quatro horas depois. Nas áreas restritas, voarão caças, helicópteros, aviões-radar e que reabastecem as aeronaves no ar.

Considerando as três forças, 57 mil militares foram mobilizados para atuar pela defesa nas cidades-sede. De acordo com o Ministério da Defesa, 21 mil militares ficarão de prontidão na chamada força de contingência e, em caso de “pico de crise na segurança”, só serão acionados com a autorização da presidente.

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Força de Contingência passa por treinamento para defesa química-biológica

De acordo com o Ministério da Defesa, a força de contingência só será utilizada em situações nas quais haja o esgotamento da capacidade de atuação dos órgãos de segurança pública. Para que ela seja acionada, também terá que haver uma solicitação dos governadores que terão que comprovar a incapacidade de lidar com determinada situação limite.

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“Esperamos que a Copa do Mundo transcorra sem qualquer incidente, mas tomamos precauções e nos preparamos para fazer a nossa parte”, disse o ministro da Defesa Celso Amorim.

Custos

A segurança da parte interna dos estádios será totalmente particular, exigência apresentada pela Fifa. As polícias e militares somente atuarão do lado de fora com o objetivo de garantir que os acessos. Mesmo assim, ao todo, a segurança da Copa custou ao governo brasileiro R$ 1,9 bilhão. Deste volume de recursos, R$ 709 milhões foram só para a Defesa.

O restante foi destinado a ações das forças de segurança coordenadas pelo Ministério da Justiça, como a Polícia Federal (PF) a Polícia Rodoviária Federal (PRF), além da Força Nacional.

De acordo com informações do Ministério da Defesa, os repasses estão sendo feitos desde 2012 e a maior parte dos recursos foi destinada a aquisição de equipamentos e treinamentos.

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Trabalho de inteligência envolverá a Abin e a PF que atuarão em parceria com Interpol.

Ataques cibernéticos

Um ponto de atenção do governo é a possibilidade de ataques cibernéticos durante o mundial. Essa preocupação cresceu após as revelações de espionagem norte-americanas que atingiram dados até da presidente Dilma Rousseff, no ano passado. Diante disso, boa parte dos equipamentos adquiridos pelo governo para a Copa são computadores, softwares para o chamados centros de defesa cibernética, que ficará sob controle do Exército.

Protestos: Manifestantes participam de ato contra a Copa do Mundo em São Paulo

O trabalho, de acordo com o governo, será de identificar possíveis ameaças que coloquem em risco as estruturas controladas por sistemas digitais, os sistemas de tecnologia da informação e ainda as comunicações institucionais do Estado.

De acordo com o planejamento do governo, o trabalho de inteligência para prevenir possíveis ataques envolverá a Abin e a Polícia Federal que atuarão em parceria com Interpol.

Veja fotos dos protestos contra a realização da Copa do Mundo no Brasil

Manifestante é detida durante o protesto contra a Copa no centro de São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressBlack blocs atacam estabelecimentos comerciais no centro de São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressCerca de cem manifestantes foram detidos, segundo advogado . Foto: Gabriela Bilo/Futura PressAo menos 25 manifestantes detidos no protesto ficaram sentados no chão, em frente ao 78 °DP. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGProtesto teve cerca de 120 detidos. Parte deles foi liberada ainda no centro. Na imagem, manifestantes levados ao 78° DP. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGParte dos manifestantes foi levada ao 78° Distrito Policial, dos Jardins. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGManifestantes em frente ao Theatro Municipal de São Paulo. Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes seguiram pelas ruas do centro após o confronto com a polícia. Foto: Vitor Sorano/iGPolícia fecha quarteirão da Xavier de Toledo, onde houve o confronto. Foto: Vitor Sorano/iGPolícia cerca grupo de manifestantes detidos durante o confronto na rua Xavier de Toledo. Foto: Vitor Sorano/iGPM na rua Xavier de Toledo, onde houve confronto. Foto: Vitor Sorano/iGPoliciais militares revistam manifestante detido. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGBlack blocs depredaram estabelecimentos no centro de São Paulo. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGManifestantes depredaram agência bancária do centro de São Paulo. Foto: Vitor Sorano/iGPolícia Militar faz cordão de isolamento no centro de São Paulo após tumulto. Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes vestidos de preto e mascarados lideraram o protesto. Foto: Vitor Sorano/iGCentenas de manifestantes se reuniram em protesto contra a Copa. Foto: Vitor Sorano/iGCentenas de manifestantes se concentraram na praça da República. 'Pentacampeão, de injustiça e de corrupção', gritavam pelas ruas do centro. Foto: Vitor Sorano/iGCentenas de manifestantes se concentram na praça da República. Foto: Vitor Sorano/iGBlack blocs organizam cordão humano durante protesto. Foto: Vitor Sorano/iGPoliciais militares reforçam segurança no cruzamento da praça da República com a avenida São Luís. Foto: Vitor Sorano/iGOs estudantes Lucas Crivelaro e Willians Mardegan participam do protesto contra a Copa. Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes se concentram na praça da República no segundo ato contra a Copa do Mundo (22/02/2014). Foto: Gabriela Bilo/Futura PressCerca de mil policiais reforçam a segurança na praça da República. Foto: Gabriela Bilo/Futura Press"Sem educação, não vai ter Copa", diz um dos cartazes preparados por manifestantes do segundo ato contra a Copa em São Paulo. Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes se concentram para o segundo ato contra a Copa na Praça da República, centro de São Paulo (22/02/2014). Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes se concentram para o segundo ato contra a Copa na Praça da República, centro de São Paulo (22/02/2014). Foto: Vitor Sorano/iG"Eu gosto de futebol, mas temos que sacrificar nossos gostos. Eu sou contra investimento para maquiar corrupção", diz Beto Fontes (22/02/2014). Foto: Vitor Sorano/iG

Ataques químicos

Além dos computadores, que também servirão para a montagem dos centros de operações nos estados, o governo também adquiriu kits para defesa química, biológica, radiológica e nuclear para serem utilizados pelos militares que irão vistoriar e fazer a varredura de todos os locais diretamente envolvidos na Copa.

As varreduras estão programadas para serem feitas nos estádios, hotéis e centros de treinamento das seleções, aeroportos, bases aéreas e comboios das delegações oficiais.

Fronteira

Às vésperas da Copa do Mundo, o Ministério da Defesa mandará cerca de 30 mil militares das três Forças Armadas para toda fronteira terrestre brasileira. Será a oitava edição da chamada operação Ágata.

A data de início da operação, prevista para durar três semanas, está sendo mantida em sigilo por questão de segurança, alegada pelos militares. O objetivo é “blindar” 16,8 mil quilômetros de fronteira com dez países da América do Sul. A operação, de acordo com o Ministério da Defesa, inclui ações de bloqueios de rodovias em pontos estratégicos e terá foco na repressão ao tráfico de drogas, contrabando, tráfico de armas e munições, crimes ambientais, além de imigração ilegal.

Centros integrados

De acordo com o Ministério da Defesa, em cada uma das 12 cidades-sede será montado um comitê de defesa integrado, coordenado por um representante das Forças Armadas. Este comitê também será integrado pelo superintendente da Polícia Federal no estado e pelo secretário de Segurança Pública do estado.

No caso do Rio de Janeiro, que realizará em 2016 as Olimpíadas, o comitê também será integrado pelo secretário municipal de Segurança Pública, atendendo a um pedido feito pela prefeitura. Caberá a esse comando a coordenação dos trabalhos de segurança. Além das 12 cidades que sediarão os jogos, as forças armadas também atuarão em mais três capitais: Vitória (ES), Aracaju (SE ) e Maceió (AL), que também receberão delegações de atletas.

Já em Brasília, a instância estratégica para a orientação será um comitê executivo constituído pela Casa Civil da Presidência da República e pelos Ministérios da Justiça e da Defesa, com o assessoramento permanente do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI PR).

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