A empresários, Campos promete acabar com a ‘política do século passado’

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo |

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Presidenciável voltou a afirmar que é possível governar sem os políticos que hoje integram a base do governo da qual o PSB, seu partido, se desligou apenas no ano passado

O pré-candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) propôs nesta segunda-feira um pacto político que sepulte o ciclo de presidencialismo de coalizão e mude o atual modelo de governabilidade, gerador de desvios morais. Confiante de que chegará ao segundo turno das eleições deste ano, Campos disse que transformará a corrupção “na exceção da exceção” e prometeu combater os desvios “na forma da lei”.

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O ex-governador de Pernambuco acha que o atual modelo de relação entre Executivo e Legislativo “faz parte da política do século passado” e refutou um modelo de governabilidade com “um Congresso que quer pedaços do Estado”.

Alice Vergueiro / Futura Press
Campos foca críticas em Dilma e poupa Lula

“Com o velho presidencialismo de coalização o Brasil não sai da encruzilhada. Não dá mais para ter quatro anos com essa forma de governança”, disse Campos num encontro com empresários nesta segunda em São Paulo. Ele prometeu reduzir o número de ministérios (de 39 para 20) e acabar com as indicações políticas nas agências reguladoras.

Pelo atual modelo de indicação, mesmo com a sabatina e aprovação pelo Senado, segundo ele, os dirigentes das agências seguem os interesses do grupo político que os indicam e dos próprios setores que irão regular. Campos propõe um modelo que passe antes pela avaliação do perfil dos candidatos através de agências especializadas, chamadas através de editais públicos, debate na sociedade e, só depois, a sabatina e crivo do Senado.

Campos reconheceu que é um desafio vencer uma eleição pregando o fim de um modelo de governabilidade que reúne tantos partidos e impera há três décadas, alicerçado na fisiologia. Ele acha, no entanto, que o debate eleitoral deste ano ajudará a eleger um Congresso mais sintonizado com as manifestações de junho do ano passado, que pediram o fim da corrupção e mudanças no exercício da política.

Disse que pretende juntar os “bons, capazes, experientes” e demonstrar com clareza e confiança que pode fazer as mudanças, apresentando “ideias que falem” e um programa de governo articulado, com crescimento econômico e inflação contida.

“É possível governar o Brasil sem eles”, disse, se referindo aos políticos que integram a base do governo da qual ele e seu partido só se desligaram no ano passado. “Força política se constrói, juntando não os políticos, mas a sociedade”, disse o candidato. Campos afirmou que as mudanças devem ser feitas sem negar a política ou as conquistas das últimas três décadas, e com respeito a instituições como Congresso.

Sempre ao lado da candidata a vice, Marina Silva (Rede), o presidenciável pernambucano focou suas críticas na presidente Dilma Rousseff, mas tem poupado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Questionado sobre a declaração em que Lula afirmou que o julgamento do mensalão foi 80% político, disse apenas que o assunto já foi 100% discutido pela sociedade e pelo Supremo Tribunal Federal e que é um assunto do passado. Mas evitou citar o nome do ex-presidente.

Falando a um grupo 527 empresários ligados a Lide – Grupo de Líderes Empresariais, entidade que reúne donos de empresas com faturamento anual acima de R$ 200 milhões, o presidenciável prometeu executar um projeto de reforma tributária de médio prazo, com conclusão entre oito a dez anos. Disse que seu programa de governo deve prever uma redução da inflação a 4,5%, a elevação do PIB a um patamar de 4% e o resgate dos princípios do Plano Pluri-Anual, mas sem recorrer aos métodos de “balcão”.

O pré-candidato, que no final de semana esteve em Manaus e no Maranhão, disse que seus adversários estão fazendo terrorismo político, espalhando nas regiões pobres do país que, se eleito, irá acabar com o Bolsa Família. Segundo ele, o programa será mantido, mas com ênfase na educação e outras políticas públicas.

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