Caso Alstom provoca conflitos no Judiciário

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento | - Atualizada às

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Ao menos um procurador e um desembargador dizem que De Grandis e mais três colegas do MP teriam feito lobby para impedir transferência do juiz Ali Mazloum

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Há uma guerra surda nos bastidores da Justiça em São Paulo. Após a descoberta de que o procurador Rodrigo De Grandis, do Ministério Público Federal, deixou de atender pedidos de colegas suíços para investigar suspeitas de pagamento de propinas pela empresa Alstom a políticos e servidores do governo paulista, novas revelações apimentam ainda mais o caso. Ao menos um procurador e um desembargador dizem que De Grandis e mais três colegas do Ministério Público teriam feito lobby junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª. Região para impedir que o juiz Ali Mazloum fosse transferido da 7ª. Vara Federal Criminal de São Paulo para a 6ª. Vara, especializada em crimes de lavagem de dinheiro. O motivo, segundo pessoas próximas a Mazloum, seria a apuração do caso Alstom nesta Vara.

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Mazloum - juiz denunciado no caso Anaconda e depois isentado nos processos criminais - é um desafeto de De Grandis. O procurador atua em casos remetidos para a 6ª. Vara, por designação do MP Federal. Mazloum se considerava o nome natural para assumir o cargo, por ser especialista em crimes do colarinho branco e ter conseguido o primeiro lugar no concurso para a remoção. Mas o presidente do tribunal, Newton de Lucca, também teria sido contra a sua indicação. Depois da inscrição de seu nome, o TRF cancelou o edital para a nomeação. Alegou que seria feito um estudo para a 6ª. Vara deixar de atuar especificamente na área de lavagem de dinheiro. Isso iria contra todas as práticas de combate à lavagem e crimes financeiros no mundo. Hoje, segundo desembargadores, o tribunal pensa em designar uma nova vara, a 10ª.,apenas para essa função.

De Grandis ia “mexer” no caso em 2014

Há cerca de 20 dias, De Grandis disse que iria “mexer” no caso Alstom no início de 2014. Ele afirmou que a maioria dos crimes no caso estava prescrito, disse que tiraria férias e folgas e iria para a Sicília.

Mazloum condenou Protógenes

O juiz Ali Mazloum foi autor de sentença que condenou o então delegado e hoje deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), por violação de sigilo, durante as investigações da Satiagraha.

Vara está sem titular há três anos

O posto de titular na 6ª. Vara Criminal Federal está vago há três anos, desde a promoção de Fausto De Sanctis, juiz da Satiagraha.

O desembargador Newton de Lucca não foi encontrado. O juiz Mazloum evitou se manifestar.

PTB não admite mais infiéis

O PTB paulista afirma que não admitirá mais votações de seus parlamentares contrárias às determinações das lideranças. A decisão vale para deputados estaduais e vereadores. O partido vai pedir o mandato dos infiéis. “A expulsão, às vezes é um prêmio”, diz Campos Machado, secretário-geral do Diretório nacional. Ele vai propor a medida, em todo o País.

Carvalho diz acreditar em chances de Padilha

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirma ter a candidatura do colega da Saúde Alexandre Padilha ao governo de São Paulo como uma forma de o PT marcar posição. “Mas ele tem grande capacidade e vai dar muito trabalho ao Alckmin. Vamos disputar para valer. Com o desgaste natural do PSDB, haverá uma forte disputa”, afirma.

Givaldo Carimbão (AL), líder do PROS na Câmara, após ser recebido por Dilma no Palácio do Planalto: "Não viemos aqui com fisiologismo. Não discutimos fisiologismos"

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