Protesto põe fim à lua de mel de Haddad com movimento de moradia em São Paulo

Por Ricardo Galhardo e Renan Truffi , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Contrariado, grupo ligado ao PT planeja levar 7 mil para a porta da Prefeitura e diz que não dialoga com o assessor especial da Secretaria de Habitação, próximo do PC do B

A indicação de um nome do PP para a Secretaria Municipal de Habitação continua provocando atritos entre a administração Fernando Haddad e movimentos de moradia ligados ao PT. Um documento assinado por 12 entidades foi encaminhado ao prefeito. Os movimentos rejeitam a nomeação de Edmundo Ferreira Fontes, assessor especial do secretário Floriano de Azevedo Marques, como interlocutor. Na semana que vem, os movimentos pretendem colocar 7 mil pessoas na porta da prefeitura para protestar contra a política habitacional de Haddad.

“A lua de mel acabou”, resumiu um líder sem-teto petista.

Leia mais: Haddad congela 98% da verba de secretaria do PP de Maluf

100 dias: Haddad 'toma rédeas' de São Paulo ao priorizar transporte

Fernando Haddad: As principais medidas nos primeiros 100 dias de governo

Largo 13: Motoristas se dividem sobre restrição, mas comerciantes criticam; assista

Reprodução
Em documento, movimentos rejeitam a nomeação do assessor Edmundo Ferreira Fontes

Os movimentos se recusam a participar das negociações encaminhadas pela prefeitura para solucionar o problema dos sem-teto que vivem em prédios ocupados na região central da cidade. “As entidades e movimentos não aceitam o senhor Edmundo como interlocutor da Secretaria de Habitação junto a esses segmentos os quais representamos”, diz o documento entregue a Haddad.

A contrariedade dos petistas se deve ao fato de que o assessor especial é ligado ao PC do B.

No documento, os movimentos pediram a criação de um grupo de trabalho composto por Azevedo Marques e o secretário das Relações Governamentais, João Antonio, responsável pela articulação política de Haddad. A demanda foi atendida. Na quinta-feira, integrantes dos movimentos ligados ao PT se reuniram com os dois secretários na prefeitura.

Na reunião, Azevedo Marques Neto propôs um pacto. “Como estávamos negociando (por mais moradias), ele (Neto) chegou a dizer na mesa: ‘então vamos fazer um pacto para não acontecer o ato?’”, contou uma das coordenadoras do UNMP Maria das Graças Xavier.

Veja mais notícias sobre a capital paulista no site iG São Paulo

Entrevista ao iG: Haddad cobra ficha limpa para empresas de inspeção veicular

Leia também: Cultura se fortalece em São Paulo e abre novo campo na disputa por voto

Anderson Barbosa/Fotoarena/AE
Moradores realizam 'apitaço' em ocupação no centro de São Paulo

Além de não conseguir dissuadir o ato que será promovido pelo grupo, Neto ainda provocou embaraços na reunião. Isso porque um dos motivos do fim da paz entre o governo Haddad e os movimentos de moradia é justamente o fato de o secretário ter sido indicado pelo PP, do deputado Paulo Maluf. “Dissemos que não vamos fazer pacto. Nós só vamos saber que a negociação (para entregar mais moradias) está continuando quando tiver algo assinado. Não queremos ser atendidos pelo secretário. Queremos ser atendidos pelo prefeito. Ele (secretário de habitação) não para de falar que veio de empreiteiras. Disse que considera o movimento como clientes. Mas, nós falamos para ele que não somos clientes, movimento é movimento”, contou.

A coordenadora do UNMP falou também que a intenção do ato é lembrar ao prefeito “qual o papel dos movimentos populares”. “O que nós falamos para o Haddad desde o começo é que inclua um programa de habitação (na pauta do governo). Vai fazer 100 dias de governo e nada foi colocado. A União (Nacional dos Movimentos de Moradia Popular) deu a cara e acreditou no governo. Do mesmo jeito que a gente elege, a gente joga para baixo. A gente sabe muito bem qual é o nosso papel de movimento”, disse.

Segundo João Antonio, o secretário da Habitação tem se esforçado para melhorar a relação com os movimentos petistas. “É claro que há um descontentamento, mas o secretário tem feito um esforço para atende-los. Integrantes dos movimentos estão na secretaria, alguns representando o PT”, disse João Antonio. “Tentamos trabalhar com os movimentos, mas é um direito deles protestar e se manifestar”, completou.

A relação de Haddad com os movimentos de moradia ligados ao PT tem sido marcada por turbulências desde a fase de transição, quando o prefeito resistiu à pressão para ceder cargos e piorou com a indicação de um nome do PP para a habitação.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas