Sob protestos do PT e PSOL, Pastor Feliciano é eleito presidente da Comissão

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Deputado escolhido para comandar a Comissão de Direitos Humanos é acusado de fazer declarações racistas e homofóbicas

Após protestos de deputados do PT e PSOL integrantes da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, o indicado pelo PSC Pastor Marco Feliciano (SP), acusado de homofobia e racismo, foi eleito com 11 dos 12 votos dos deputados presentes, um a mais do que o mínimo necessário para ser eleito. Um dos votos foi em branco. 

Alexandra Martins / Agência Câmara
Sob protestos, Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

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A eleição do pastor para o cargo foi possível porque, durante as negociações do Congresso, o PMDB, PSDB e PT cederam suas vagas na comissão para o PSC. Além disso, a maioria dos deputados titulares da comissão são evangélicos que apoiam o pastor. 

Após ser eleito, Feliciano negou ser homofóbico e racista, e que trabalhará "como um magistrado" à frente da Comissão.

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A eleição foi conduzida pelo membro mais idoso da comissão, o deputado evangélico Costa Ferreira (PSC-MA), depois que o então presidente Domingos Dutra (PT-MA), renunciou ao cargo em protesto à realização da reunião a portas fechadas, sem a presença dos manifestantes, como determinou o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

"Nem a ditadura ousou bloquear o acesso do povo esta Casa. Essa comissão não é de evangélicos ou de católicos, mas do povo", disse Dutra, que se recusou à conduzir a eleição.

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Em prostesto à indicação de Feliciano (PSC-SP) para a presidência do colegiado, todos os deputados do PT e do P-SOL se retiraram da comissão. Além de Dutra, os deputados Padre Ton (PT-RD), Erika Kokay (PT-DF), Jean Wyllys (Psol-RJ), Luiza Erundina (PSB-SP), Luiz Couto (PT-PB) e Janete Pietá (PT-SP) também não votaram.

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A eleição de Feliciano ocorreu em meio a debates acalorados entre deputados evangélicos e os defensores dos direitos dos homossexuais e negros.

Alexandra Martins / Agência Câmara
Deputados do PT e PSOL seguiram o ex-presidente da Comissão, Domingos Dutra (PT-MA), e abandonaram o colegiado

O deputado Pastor Eurico (PSB-PE) criticou a postura de Dutra. "Isso é uma comissão de direitos humanos ou de direitos de uns e de outros? Não existe crime antes de ser julgado", pontuou. "Estão praticando o preconceito aos evangélicos. Poderíamos convocar os evangélicos para fazer baderna nessa Casa. Mas nós, evangélicos, não somos de fazer baderna."

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A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) criticou a decisão de impedir o acesso de manifestantes à reunião. "Os espectadores não devem estar entendendo esse episódio que nos remonta a um período triste da nossa história. A questão aqui é política. Não é legal, nem regimental."

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Do lado de fora da reunião, os deputados que se retiraram da reunião, afirmaram que pretendem realizar uma reunião na próxima terça-feira(12), às 11 horas, para decidir que medidas tomarão. Eles cogitam, inclusive, formar uma comissão paralela de Direitos Humanos.

*Com informações da Agência Brasil e da Agência Câmara

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