PT usa 10 anos no governo para consolidar base aliada

Por Ricardo Galhardo , iG São Paulo |

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Partido realiza hoje em São Paulo, na festa dos 33 anos, o primeiro ato para exaltar os governos de Lula e Dilma, consolidar o d e atacar FHC

O PT pretende usar a série de eventos sobre os 10 anos do partido no governo federal para manter a coesão da aliança que levou Dilma Rousseff à Presidência em 2010, ameaçada pela disposição do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em entrar na disputa em 2014.

Hoje, em São Paulo, o PT, na festa em que comemora os 33 anos de existência, realizará o primeiro ato com a participação da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até o dia 18 estão previstos outros dez seminários temáticos sobre os 10 anos do partido no governo federal.

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Divulgação PT Nacional
Dilma participa da festa de 32 anos do PT ao lado de Marco Maia e do presidente do partido Rui Falcão

Dirigentes e lideranças nacionais dos principais partidos da base aliada foram convidados a participar de todos os 10 seminários. O vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, confirmou presença no seminário sobre inclusão e políticas de bem estar e inclusão social em Fortaleza, nos dias 28 de fevereiro e 1º de março.

Segundo fontes petistas, lideranças do PMDB, PC do B e PSD foram convidadas para outros eventos.

O panfleto com o texto principal do evento desta quarta-feira evidencia a preocupação do PT com a coesão da aliança que elegeu Dilma. Em vários trechos, o partido divide com os aliados os méritos pelos avanços obtidos nestes 10 anos. Segundo o documento, os avanços foram obtidos “pelo conjunto de forças políticas pertencentes à Frente Democrática e Popular, cuja liderança maior coube ao Partido dos Trabalhadores”.

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O panfleto, cujo objetivo é fornecer uma “narrativa própria” do PT sobre as últimas décadas da política brasileira, enumera realizações dos governos Lula/Dilma (desenvolvimentista) e supostos fracassos da era Fernando Henrique Cardoso (neoliberal). Com isso o PT espera preparar o discurso para a campanha pela reeleição de Dilma em 2014, municiar a militância com informações e tirar o partido da agenda negativa intensificada com as condenações no julgamento do mensalão.

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Em 15 páginas, o PT não cita o escândalo nem os percalços econômicos e administrativos de Lula/Dilma e usa termos pesados como “desastroso” para classificar o governo tucano. No contexto histórico, Fernando Henrique é colocado ao lado de Fernando Collor e Itamar Franco, todos neoliberais. Em momento algum o PT reconhece avanços obtidos na gestão tucana, como o fim da inflação e a a estabilidade econômica.

Até a ditadura militar (1964-1985) é tratada com mais boa vontade pelo PT para quem “durante os 21 anos do regime militar a inegável expansão de bases materiais da produção permitiu inserir o país entre as oito mais importantes economias capitalistas do mundo”.

O governo do peemedebista José Sarney (1985-1990), um dos principais aliados do PT no Congresso, é citado de forma positiva. O documento tem o cuidado de mencionar o período Sarney como o “governo da Nova República” que, segundo o documento, teve o “mérito da consolidação democrática” e não conseguiu realizar um novo “projeto nacional” devido à “herança da crise da dívida externa deixada pela ditadura”. O fato de Sarney ter deixado o governo com inflação de 80% ao mês não é citado.

Em duas tabelas e quatro gráficos o PT compara seus números aos da gestão tucana ano a ano em temas como inflação, crescimento econômico, dívida pública, reservas externas, emprego, redução da desigualdade e renda do trabalhador. Todos os números são amplamente favoráveis ao PT. Temas nos quais o PT leva desvantagem como o número de assentados em programas de reforma agrária não foram elencados.

A autoria do texto é do Instituto Lula, Fundação Perseu Abramo e do presidente nacional do PT, Rui Falcão.

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