Desagravo a Lula vira campanha para 2014

Discursos não são explícitos, mas petistas avaliam que a candidatura do ex-presidente, em vez de Dilma, é a chance de o PT recuperar prestígio abalado por denúncias de corrupção

Luciana Lima - iG Brasília | - Atualizada às

A bancada o PT organizou nesta terça-feira (18) na Câmara o primeiro ato conjunto de reação às denúncias de corrupção que, na avaliação dos próprios petistas, atingem a imagem do partido e a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Embora nenhum dos discursos feitos por petistas ou por aliados se referisse explicitamente à possível entrada de Lula na disputa pela Presidência da República em 2014, a maior parte dos presentes admitia que a candidatura é a melhor forma do partido “se apropriar dos feitos” dos dois governo do ex-presidente.

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Em meio aos discursos inflamados, não faltaram as entoações do tradicional hino lulista “Olê,olê, olê, olá, Lula, Lula” e o mais recente bordão adotado pelo partido: “O Lula é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”.

O ato foi um desagravo a Lula principalmente pelas denúncias de tráfico de influência e outros crimes investigadas pela operação Porto Seguro e as ligações do ex-presidente com as denúncias do mensalão . Outro sentimento presente na bancada petista é de que a imagem da presidenta Dilma Rousseff tem ficado totalmente descolada das imagens do partido e da imagem de Lula.

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Os petistas mais antigos avaliam que o PT demorou a reagir. “Quando houve a denúncia do mensalão, o PT avaliou que isso ficaria isolado, concentrado nas imagens de José Dirceu [ex-ministro da Casa Civil e deputado federal cassado] e de José Genoino. Quando o PT acordou, já era tarde”, disse um deputado petista que preferiu não se identificar.

Já a deputada Luci Choinacki (PT-SC) assume a defesa de Lula e a apatia petista. “O partido demorou muito a reagir. Parece que houve uma acomodação. Nos esquecemos que do lado de lá, eles podem tudo”, disse a deputada, que distribuiu uma revista com sua foto ao lado de Lula.

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“Talvez a candidatura de Lula seja necessária ao partido. Há muito tempo eu venho defendendo Lula nas redes sociais. Digo também que sou defensora do José Dirceu e do José Genoino. Pouca gente tem coragem para dizer isso”, disse a deputada Luci Choinacki. “Enquanto se eu não tiver uma prova de que eles colocaram dinheiro no banco, eu continuo defendendo”, disse.

O líder do partido na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP) contou que foi avisado ontem à noite do ato pelos deputados Cândido Vaccarezza (SP) e Henrique Fontana (RS). Em seu discurso, Tatto citou a pesquisa CNI/Ibope, divulgada no último fim de semana .

A consulta apontou que a maior parte dos entrevistados (59%) acredita que o governo Dilma é igual ao de Lula. O percentual subiu em relação à última pesquisa, feita em setembro, quando esse percentual era de 57%. “O Lula continua sendo querido pelo povo brasileiro assim como a presidenta Dilma”, disse Tatto.

“Há um sentimento de indignação na bancada aos ataques orquestrados ao PT e ao ex-presidente Lula. Eu vi que esse ato era necessário quando uma senhora, uma pessoa bem simples, me abordou e perguntou: porque estão falando tão mal do presidente Lula, uma pessoa que fez tão bem para nós”, argumentou o líder.

As denúncias envolvendo a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo Rosemary Noronha, apadrinhada de Lula, e o vazamento do depoimento do publicitário Marcos Valério, considerado pela Justiça, o operador do esquema do mensalão, foram o estopim para a reação do PT.

A possível candidatura de Lula, na opinião de seus colegas de partido, seria uma forma de animar a militância e de o ex-presidente salvar sua reputação. “É melhor ir para a rua e deixar que o povo julgue”, disse um petista que também preferiu ficar no anonimato. “Só o anúncio que ele fez na Europa de dar início às caravanas pelo Brasil já provocou as pessoas”, revelou o petista.

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