Valério diz que mensalão pagou despesas pessoais de Lula

Reportagem do jornal 'O Estado de S. Paulo' teve acesso ao depoimento do publicitário à Procuradoria no qual ele disse que ex-presidente deu o 'ok' a empréstimos do PT

iG São Paulo | - Atualizada às

O empresário Marcos Valério disse, em depoimento prestado em 24 de setembro à Procuradoria-Geral da República (PGR), que o esquema do mensalão ajudou a bancar "despesas pessoais" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , informou nesta terça-feira (11) reportagem do jornal " O Estado de S.Paulo" .

Em meio a uma série de acusações, Valério, que na ocasião do depoimento já havia sido condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 40 anos de prisão , também afirmou que o ex-presidente deu "ok", em reunião dentro do Palácio do Planalto, para os empréstimos bancários que viriam a irrigar os pagamentos de deputados da base aliada. O jornal diz que Valério decidiu prestar o depoimento buscando, em troca, proteção e redução da pena.

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Marcos Valério teria relatado que sofreu ameaças de morte


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Segundo a reportagem, Valério disse ter passado dinheiro para Lula arcar com "gastos pessoais" no início de 2003, quando o petista já havia assumido a Presidência. Os recursos foram depositados, segundo o empresário, na conta da empresa de segurança Caso, de propriedade do ex-assessor da Presidência Freud Godoy.

O advogado José Luís Oliveira Lima, que defende Dirceu, repudiou a menção do nome do ex-ministro no depoimento de Valério. Procurados pelo jornal, o Instituto Lula não se manifestou e Freud Godoy não comentou o caso.

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No depoimento, prestado à subprocuradora da República Cláudia Sampaio e à procuradora Rafael Branquinho, Valério disse que houve dois repasses, mas só especificou um deles, no valor aproximado de R$ 100 mil, que tinha Lula como destinatário.

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Ainda segundo o depoimento de setembro, segundo o jornal, Lula deu autorização durante reunião no Palácio do Planalto com a presença do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, para que as empresas de Valério pegassem empréstimos com os bancos BMG e Rural, que seriam destinados a pagar os deputados da base aliada.

Segundo concluiu o Supremo, as operações foram fraudulentas e o dinheiro foi usado para comprar apoio político no Congresso no primeiro mandato do petista na Presidência.

Ameaçado de morte

Em setembro, Valério encaminhou para o STF um pedido de proteção, pois sua vida estaria correndo perigo, e ofereceu em troca delação premiada . O fax - revelado pela revista Veja - foi recebido pelo então presidente do tribunal, ministro Carlos Ayres Britto, que o manteve em sigilo.

Valério teria dito, segundo a reportagem, que foi ameaçado de morte por Paulo Okamotto, atual diretor do Instituto Lula. "Tem gente do PT que acha que a gente devia matar você", teria dito Okamotto, segundo o empresário mineiro. "Ou você se comporta ou você morre", teria completado Okamotto.

Procurado pelo jornal, o diretor do Instituto Lula não comentou o caso. Valério relatou que foi procurado por Okamotto pela primeira vez em 2005, depois da entrevista concedida pelo então presidente do PTB, Roberto Jefferson, em que o escândalo do mensalão foi revelado. Okamotto disse, segundo Valério, que o procurava por ordem do então presidente Lula.

Paulo Okamotto, assessor de Lula , negou , nesta terça-feira, em Paris, onde acompanha o ex-presidente no Fórum do Progresso Social, ter ameaçado o publicitário Marcos Valério de morte.

Celso Daniel

Valério afirmou que o PT teria pedido a ele R$ 6 milhões para que o empresário Ronan Maria Pinto, de Santo André, parasse de chantagear Lula, Dirceu e o então secretário da Presidência Gilberto Carvalho. Por trás das ameaças estaria a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), executado em janeiro de 2002.

A polícia concluiu que o petista foi vítima de "criminosos comuns", mas o Ministério Público (MP) sustenta que ele foi eliminado a mando do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, porque decidiu dar um basta em amplo esquema de corrupção em sua administração depois que constatou que o dinheiro desviado não abastecia exclusivamente o caixa 2 do PT, mas estava sendo usado para enriquecimento pessoal de algumas pessoas.

Valério contou que foi Silvio Pereira, o Silvinho, então secretário-geral do PT, quem o procurou pedindo esta nova ajuda.

Com Agência Estado

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