Pedido para indiciar Gurgel é alvo de crítica dos 'independentes' da CPI

Grupo votará contra relatório final apresentado pelo deputado Odair Cunha e entregará ao procurador uma representação incluindo o pedido de indiciamento do governador Cabral

Luciana Lima - iG Brasília |

A inclusão do nome do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, entre os 46 pedidos de indiciamento no relatório final apresentado pelo deputado Odair Cunha (PT-MG) foi o fator principal para que o texto não recebesse o apoio do grupo de deputados e senadores chamados de independentes na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Cachoeira.

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A decisão do relator, na opinião do grupo, “tem as digitais” da cúpula do PT, insatisfeita com a posição de Gurgel no julgamento do mensalão. “É uma completa inversão de valores. É colocar o investigador na condição de investigado. É uma atitude de retaliação que não tem relação nenhuma com o conteúdo da investigação”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Ontem, Randolfe e Cunha se reuniram para tratar das demandas do grupo. O relator tentou atender ao máximo as reivindicações, no entanto, a convocação de Gurgel, segundo Randolfe, foi insuperável. “Ele fez um relatório procurando agradar a todos e acabou desagradando a todos”, destacou.

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Fazem parte do grupo, além de Randolfe, os senadores Pedro Taques (PDT-MT), Pedro Simon (PMDB-RS), e os deputados Onyx Lorenzzoni (DEM-RS), Miro Teixeira (PDT-RJ) e Rubens Bueno (PPS-PR). O grupo decidiu entregar ao procurador uma representação na qual também pedem a inclusão do nome do governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), poupado no relatório de Odair Cunha, entre os indiciados.

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“É por isso, por não indiciar o governador Sérgio Cabral e por não ter quebrado o sigilo das empresas que receberam recursos da construtora Delta, que o nosso voto não pode ser favorável a esse relatório”, disse Randolfe Rodrigues, que criticou o texto de aproximadamente cinco mil páginas entregue hoje aos parlamentares.

“Da forma que está, a alegoria é nota 10, o enredo é nota zero. Tem muito papel. As únicas criminalizadas foram as árvores, que foram derrubadas para fazer o relatório e pouco conteúdo. O conteúdo do relatório não diz a que veio”, ironizou.

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A não adesão dos independentes pode ser cara ao relator já que outro texto, livrando Marconi Perillo, governador de Goiás, da acusação está sendo elaborado por deputados e senadores do PSDB. Randolfe fez questão de diferenciar os dois movimentos existentes na comissão.

“É como água e vinho. Nós partimos do pressuposto de que o governador Marconi Perillo permitiu que em seu governo tivesse uma cota de participação do senhor Carlinhos Cachoeira. O governador Marconi Perillo foi leniente, permissivo à participação da organização criminosa de Carlos Cachoeira e Delta em seu governo”, argumentou.

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